segunda-feira, 1 de setembro de 2008

comida, ou tabemono.

















    Eu acho que já falei de comida aqui, mas sempre é bom falar desse assunto né? No Brasil comida japonesa é muito ligado a sushi e sashimi, e todo mundo que quer ser moderninho é bacaninho diz curtir comida japonesa, quando o cara quer impressionar a guria acaba levando em um restaurante japonês, essa frescalhada toda. 
     Mas a verdade é que a comida japonesa é bem mais do que sushi e sashimi principalmente quando estamos falando da vida diária. É claro que o sushi principalmente é bem presente, afinal esse é o único lugar do mundo que eu saiba onde se compra sushi no supermercado, e pela metade do preço depois das 20:00. Mas por exemplo, na região do monte Fuji o principal prato é o udon, esse macarrão que vocês podem ver na tigela aí da segunda foto. O Udon normalmente se come com as tempuras, que são um monte de coisa empanadas, de abóbora a camarão. É uma delícia...
    Mas na vida diária o japonês come muito mesmo é o "obento." (calma galera, não é o Bento...) O obento é a nossa quentinha, só qeu não tão quente... São esses PFs que se compra nos supermercados. Como aqui ninguém tem tempo pra nada, todo mundo tá sempre trabalhando, o pessoal compra isso aí nas lojas de conveniência e nos supermercados. É barato e prático. há também vários tipos, mas quase todos com arroz e algum tipo de peixe, frango ou porco.  A minha dica é a seguinte, compre o almoço de amanhã hoje no final da tarde, você vai conseguir comprar o Obento pela metade do preço. Esse aí que vocês tão vendo é o meu almoço de amanhã, espero que o camarão não estrague até lá... Beijos, David

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Globalização é...






...comprar pão de queijo em um 7 eleven em Kawamaguchiko, japão. E o pão de queijo até que não tava ruim...

Nem tudo que é sólido se desmancha no ar.


Marx disse em seu famoso manifesto que o capitalismo profanou tudo o que é sagrado. Bem não é bem verdade. Aqui no Japão as montanhas sempre foram sagradas, e ainda são.
Aliás, este é um dos porquês de tudo aqui ser tão apertado. A ilha é pequena, tem muita gente, e ninguém ousa profanar as montanhas, que são grande parte do território...
Outro exemplo está nos nomes. Montanha em japonês é yama. Escreve-se assim 山。O meu bairro por exemplo é 石山, Ishiyama, ou montanha de pedra. Mas esse símbolo, 山, também é o símbolo para o famoso SAN, de David SAN, Maria SAN, etc. É um título que se adiciona ao nome das pessoas, é um sinal de respeito. Não se chama ninguém só pelo nome, é sempre acrescido do SAN. Só que algumas montanhas, maiores, mais importantes, também tem seu nome acrescido do SAN, ao invés de YAMA. É um sinal de respeito. Assim, o monte Fuji, não é Fujiyama, mas sim Fuji SAN, como o monte Aso em Kyusho também não é Aso yama, mas ASO SAN. É respeito as montanhas, que no xintoísmo japonês são sagradas. Vendo-se esta foto aí, do alto do Fuji San, entende-se um pouco melhor o porquê, né? Pelo menos por aqui nem tudo foi profanado pelo capitalismo...


Larissa: Tô me alimentando direito sim, tô até uns 5 quilos mais gordo do que eu tava em dezembro do ano passado! AH! o provérbio não é chinês, é japonês!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

"o homem sábio escala o Fuji uma vez..."


Visto assim de longe, na sua versão verão sem a neve no topo o monte Fuji pode não impressionar muito. Mas acredite, escalar os seus 3775.63 metros não é muito fácil. Mas é claro que os japoneses dão um jeito. Assim, há várias paradas no caminho e até hotéis, onde se pode passar a noite por 60 dólares antes de prosseguir a escalada. Dessa maneira a escalada se torna menos cansativa.
Mas eu e a Monika tivemos uma idéia de girico, escalar o monte Fuji de noite pra ver o sol raiar lá de cima. Bom, muita gente faz isso, na verdade tinha até um congestionamento de pessoas pra poder escalar, mas do jeito que fizemos foi particularmente cansativo. Saímos de Nagoya e enfrentamos 8 horas de trem até o Fuji. No dia que chegamos chovia muito, eu nem conseguia ver o monte e tivemos de esperar até o outro dia pra escalar. No outro dia ficamos andando o dia inteiro pra conhecer as cidades perto do Fuji, aí as 19:45 pegamos o ônibus que nos levaria até a estação 5, onde começamos a escalada. Começamos a andar umas nove horas da noite, com uma noite bonita e até algumas estrelas no céu, como vocês podem ver logo abaixo.

Mas isso era só o começo. Logo logo a larga estrada que servia de acesso ao topo foi se tornando em estreito caminho, milhares de japas iam aparecendo do lugar nenhum com suas imensas excursões organizadas e o tempo bonito e agradável foi se tornando em uma chuva de ventos fortes e gelados. É claro que tudo isso é esperado, principalmente por nós, experientes escaladores, mas putz, que enche o saco enche! Como o número de pessoas era grande, a escalada demorava bastante, e nós andamos de nove horas da noite até as cinco da manhã pra chegar no topo do monte fuji e finamente poder apreciar a vista do dia nascendo lá de cima. Agora que eu estou aqui, no quentinho do meu apartamento com a barriga cheia de camarão eu digo pra vocês, vale a pena, como vocês podem perceber pelas fotos abaixo.



































Mas a parte mais difícil é mesmo a descida. As seis da manhã a gente começou uma descida que parecia que não ia terminar nunca. No caminho ainda encontrei um brasileiro decassei, Marcos Akita que também foi ver o sol nascer do alto do Fuji, mas ele escalou até as oito da noite, dormiu em um abrigo até as duas da manhã e depois continou escalando até as quatro e meia. Já eu e Monika estávamos andando desde as nove da noite já eram seis da manhã, não havíamos dormido, comida só chocolates, e tínhamos uma descida de cinco horas pela frente... Bem, eu registrei em outro post aí embaixo os efeitos do Fuji na Monika, eu estava cansado também, mas até que as paisagens da descida davam um pouco de alento...































Finalmente, as 11:10 da manhã de terça feira horário de tóquio, 23:1a da noite de Segunda horário de Brasília, nossos pés pisaram a quinta estação, de onde ao meio dia partiria o ônibus que nos levaria até a estação de trem de Gotemba. Ainda sem dormir, almoçamos, pegamos o trem e viajamos por mais seis horas até Nagoya. Chegando em Nagoya eu ainda jantei com a Monika em um desses restaurantes japoneses baratos e de comida rápida e as 20:24 peguei o trem que traria de volta pra casa. As 22:3o finalmente cheguei em meu apartamento, tomei um banho e finalmente consegui dormir. Mas antes de desmaiar na cama, um antigo provérbio japonês ainda me veio a mente: " o homem sábio escala o Fuji uma vez. O tolo, mais de uma." Boa noite!

Respondendo:

Larissa: Pois é, eu mereço....

taynara: Sabe que as vezes eu penso o mesmo?

Rafael: pois é, só comigo...

Kobelus: complicado é pouco! Não, pra eles nós não somos todos iguais não...

Kawaguchiko































A ecalada do Monte Fuji pode começar em qualquer uma das várias cidades que se espalham aos seus pés. Uma delas, e talvez a que abriga a porta para a principal rota é Kawaguchiko. Aqui vocês podem ver algumas imagens. A primeira é uma foto dessas que, com uma rede e um pouco de sol se tornaria uma ótima foto de plano de previdência. A outra sou eu praticando Karate em um templo no Japão, as outras duas eu não me lembro bem o que são!

Efeitos do Mt. Fuji sobre o ser humano





Vendo as fotos que tinha tirado do monte Fuji acabei me deparando, por acaso, com uma incrível descoberta científica. (bem, todas as grandes descobertas científicas são mesmo por acaso, então tá tudo bem), Trata-se do incrível efeito do Monte Fuji no corpo e espírito do ser humano. Veja na foto ao lado como Monika, uma menina que acabara de completar seus 26 anos, era feliz e contente as vésperas de escalar o Fuji.





atente agora, depois de já ter chegado ao ponto mais alto do Japão, como o sorriso de Monika perde a espontaneidade de outrora, e que se percebe claramente que seu único desejo é sair daquele lugar o mais rápido possível.











Veja por fim que, na descida do Fuji, o sorriso já se foi embora e Monika resolve impacar em algum lugar a 2000 metros de altura. Se você clicar na foto e ampliá-la, perceberá a gritante diferença do semblante de Monika na primeira foto e nesta. Comparando-se com a primeira foto nem parece a mesma pessoa! está provado, o Fuji realmente muda o ser humano!!



C.Q.D

como é que se diz feliz aniversário?

































wszystkiego najlepszego z okazji urodzin, с днем рождения. Na língua dos aniversariantes da semana aqui no Japão é assim que se diz feliz aniversário. Semana passada eu estive em Nagoya. Na segunda 18/08 foi aniversário do Renat. Na Segunda 25 de agosto foi aniversario da Monika. Na quarta 20 foi a festa de aniversário dos dois. A pedido dos aniversariantes ( na verdade mais a pedido da Monika, o Renat só se preocupava com as bebidas) eu fiz comida mexicana. Quer dizer, eu fiz o mais parecido que se pode fazer com uma comida mexicana com os ingredientes que se tem aqui no Japão...fiz chili dip e Tacos, que eram para ser quesadilhas mas viraram tacos na última hora por falta de ingredientes... bem, as fotos dos tacos estão aí, o chili di acabou antes que lembrássemos de tirar uma foto.