sábado, 28 de fevereiro de 2009

Retorno

Boas. recebi o intinerário da volta. Sintam o drama:

24 de Março - Saio de Osaka com destino a Frankfurt em um voo da Lufthansa. Voo dura 12 horas e 30 minutos. Chego em Frankfurt as 15:10, hora local.

24 de Março - depois de esperar por 7 horas e 25 minutos pego outro voo Lufthansa rumo a São Paulo. Voo por mais 11 horas e 50 minutos. Chego em São Paulo as 6:25 do dia 25, horal local.

25 de Março -Pego um avião da TAM (ai que meda!) as 8:30 da manhã, voo por mais 1 hora e 45 minutos e aí, finalmente, Brasília, as 10:15 da manhã do dia 25, depois de uma ano e meio.

Moderno?

Boas. Uma das coisas impressionantes sobre o Japão é a velocidade com que a modernidade chegou por aqui. Veja, mais ou menos 60 anos atrás o Japão tinha indicadores econômicos e sociais que não eram muito diferentes do Brasil, PIB equivalente ao da Nigéria. Hoje não se pode comparar esses países ao Japão em quase nenhum aspecto. Mas tudo tem um custo. No caso do Japão houve, no meu entender, uma fixação com o concreto. Nessa época do ano se pode observar pequenas obras em todos os cantos. É o fim do ano fiscal e as prefeituras precisam gastar o dinheiro. Assim o que mais a gente vê são pequenas concretagens aqui e ali. Parece que os japoneses relacionaram o concreto, as obras, a modernidade. Viadutos há aos montes. Roriz morreria de inveja. O que mata é que as vezes os japas perdem a noção das coisas. Veja por exemplo a única praia de Naha, capital de Okinawa. É essa praia da primeira foto. Pequena, é verdade, mas charmosa. Agora veja aí logo abaixo o que os japas fizeram com a única praia de Naha. Essa é a mesma praia, mas com a visão que se tem da areia. Construíram um viaduto. Um não, dois, estão construindo o segundo agora. Pode? Precisa? Não. Mas também não sei se houve protestos. É normal. Pela placa mostrando os patrocinadores da obra, com uma multidão observando embasbacada o viaduto multicolorido, parece até que os japas acham bonito. Sinal de modernidade. Será?

















quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Eles são americanos
















Boas. As fotos que você vê nesse post são de Okinawa - único lugar do Japão onde houve batalhas terrestres da Segunda Guerra. É o bunker do alto comando da marinha japonesa. As marcas na parede não são tiros americanos, são estilhaços de granada detonadas pelos soldados japoneses que se suicidaram quando o bunker caiu. Mais de 300 se mataram nesse bunker. Hoje mais de 60 anos depois da invasão americana, Okinawa é lar de mais de 8.000 mariners americanos.
Os americanos chegaram aqui bem antes. Em 1853 o Comandante Perry, com sua famosa "esquadra negra" chegou ao Japão e, com o poder de seus navios, obrigou o Japão, um país até então fechado, a fazer comércio com os Estados Unidos. Depois disso, já no século XX, invadiram Okinawa, jogaram duas bombas atômicas e governaram diretamente o Japão entre agosto de 1945 e abril de 1952. O general americano MacArthur era o Supremo Comandante do Japão. Qual é o resultado de tanta violência americana? Veneração. Os japoneses veneram os americanos.
O porquê disso, eu não sei, tenho algumas hopóteses, mas são só hipóteses. Mas acho meio patético ver tanta influência americana, de bandeiras a Brad Pitt vendendo celular. Por outro lado, os brasileiros não são muito bem vistos por aqui não. Mais de uma vez, enquanto conversava com a Monika na rua, fomos abordados por japoneses querendo saber se éramos americanos - talvez o fato de um preto e uma loira juntos falando em inglês os tenha levado a pensar assim. A pergunta vem com um sorriso, uma amabiliadade e uma cordialidade impressionantes, quando da resposta, bem, quando a Monika diz Polônia há uma surpresa e uma vontade de saber mais, quando eu digo Brasil, digamos que apatia é o mínimo que acontece. Eu sei que muitos dos brasileiros que por aqui vivem, se portam de uma maneira não muito civilizada, mas não acho que isso seja motivo suficiente para essa discriminacão do brasileiro. Acho também que há muita auto-reflexão a ser feita por nossa parte, porque quando vemos o noticiário percebemos que os brasileiros não são mais muito bem-vindos em vários cantos do planeta. Tenho cá também minhas teorias, mas fica pra outra hora. Há no Brasil 1,5 milhões de nipo brasileiros, resultado da imigração que ocorria enquanto os americanos jogavam suas bombas. Mas hoje, a impressão que tenho, é que os idolatrados são mesmo os americanos. Por essas e outras o primeiro ministro japonês se apressou para ir beijar a mão de Obama San. Pelo menos vai ser engraçado vê-lo beijando a mão do mulato. Em tempo, Hillary andou por aqui e disse que os soldados de Okinawa vão ser transferidos para Guam. Parece que, pelo menos militarmente, depois de 64 anos depois a invasão americana chega ao fim. Okinawa vai sentir falta dos seus invasores. afinal, eles são americanos.


Respondendo:

Kobelus: Pelo menos ele tá sabendo que é carnaval né?

Sarah: Semana que vem as férias melhoram, vou pras Filipinas, lá sim tá fazendo mais de 30 graus!

Larissa: Beijos!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

É carnaval


Boas. Então é carnaval! A minha viagem a Okinawa me possibilitou fazer uma coisa que eu não faço muito por cá: assistir televisão. Não que eu tenha deixao de ir a praia para ver os estúpidos programas que passam por cá (parece que aqui os programas conseguem ser ainda piores do que aí) mas no lobby do aeroporto, quando ia para Okinawa, eu assisti a famosa entrevista do ministro das finanças, completamente bêbado. Quando já estava em Okinawa li que o tal ministro tinha sido demitido, e li ainda uma declaração de primeiro ministro, pedindo desculpas e aceitando a culpa pela bebedeira do ministro. Esse caso me fez pensar na Inglaterra, e no Brasil.
Fez-me pensar nos ingleses porque foram eles, no século 17, que primeiro exigiram que os governantes prestassem contas de seus atos. Era o que eles chamaram de accountability. Antes o rei só prestava contas a Deus. Depois da Revolução Inglesa, tiveram de prestar contas aos súditos. Fez-me pensar no Brasil também porque tenho lido a luta que foi para que, finalmente, os deputados prestassem contas publicamente de alguns gastos que fazem. Mas em nosso país feudal, onde políticos constróem castelos e os súditos morrem por qualquer dois reais, a accountability não existe. Os políticos não se sentem responsáveis por nada.
O primeiro ministro japonês disse que era responsável porque sabia que o ministro tinha problemas com bebidas antes de nomeá-lo, mas achou que isso não seria um grande problema. O presidente do meu pais por sua vez, infelizmente nunca sabe nada. E não se sente responsável por isso. Até quando isso vai durar, eu não sei, mas também agora pouco importa afinal, é carnaval.

PS: O primeiro minsitro japonês - que vai cair até o fim do ano - vai ser o primeiro chefe de Estado a se encontrar com o presidente Obama na Casa Branca. Acho isso de uma ironia incrível, amanhã explico o porquê.

Respondendo: Raphael, obrigado.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

I undress myself and prohibit it


Boas. Antes de vir ao Japão o pessoal da embaixada me fez sentar em uma sala e assistir a um videozinho de uns 15 minutos sobre o país do sol nascente. Algumas coisas que eu vi no vídeo se provaram verdadeiras, apesar de inúteis, como o fato de no Japão você não precisar abrir a porta dos taxis ( o motorista abre com um botão), outras se provaram falasas, como por exemplo a informação de que no metrô é se deve ceder o lugar aos mais velhos, aqui a moçada não tá nem aí pra isso, a velharada que vá em pé mesmo se quiser. Mas o que mais me chamou a atenção mesmo foi o inglês. A japonesada é ruim de inglês. Eu não sei muito bem o porquê, mas encontrar placas em inglês cheias de erros gramaticais é comum, isso quando não se encontra uma placa como essa aí, em que a informação em inglês simplesmente não faz sentido. Essa placa eu achei no convés de um navio, entre as ilhas em Okinawa. E japonês, tá escrito que é proibido circular sem roupas (sem camisa, eu imagino) mas em inglês... "I undress myself and prohibit it" ou "eu tiro a minha roupa e poroíbo." Vai entender...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Voltei
















Boas. então, essas são as fotos do lugar onde me escondi por esses dias. Foi bom sair dos 3 graus de Otsu e ir para os vinte e poucos de Okinawa.
Para ir até Okinawa passei por Nagoya, e o pessoal lá fez uma festa surpresa pra mim. Um dos presentes que eu ganhei foi uma cueca, com um ursinho carinhoso desenhado no bumbum, do Renat. No outro dia pela manhã, eu ainda tomado pelo sono, peguei a primeira cueca que vi pela frente e coloquei, e óbvio que era exatamente a tal cueca de ursinho. Bem, no caminho do aeroporto eu me lembrei desse detalhe, e aí bateu o medo: e se o avião cai, vão reconhecer meu corpo com essa cueca ridícula? Eu sei que é um pensamento besta, mas eu juro que me aterrorizou o voo inteiro. Felizmente o avião não caiu, e eu me livrei do vexameNão que estivesse assim um calor tropical, mas enfim, já deu pra colocar uma bermurda e regata, ou seja, se sentir em casa. As praias por esse canto do mundo são muito bonitas também, com um mar bem azul. Okinawa também é mais barata que o resto do Japão. Fiquei hospedado em um hostel bem baratinho na beira de uma praia dessas. A noite minha diversão era conversar com um alemão nazista que está tentando imigrar para o Japão porque, segundo ele, a Alemanha está cheia de imigrantes, "irreconhecível" e muito "violenta." Eu não entrei muita na discussão com ele, porque não havia razão para isso. Ademais, sei que o conceito de violência de um europeu é bem diferente do conceito de violência de um brasileiro. Quanto aos imigrantes, bem, a Europa explorou e a África e a América por séculos, é responsável por grande parte da miséria nesses lugares (mas não a única responsável, nós também somos responsáveis por grande parte da nossa miséria) então nada mais justo do que receber uns tantos milhares de miseráveis por lá. Mas enfim, a viagem foi ótima, agora é descansar para encarar a maratona até as Filipinas no dia 03...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Surfando no pacífico


Boas. Hoje eu tirei o dia pra pegar umas ondas no pacífico. Surfei por várias horas, junto com os tubarões. Experiência fantástica. Depois coloco mais fotos do mar azul de Okinawa, beijos,