quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Universidade de Shiga - Ontem de tarde.








































































Ontem, depois das estafantes aulas, tirei essas fotos do Campus em um típico dia de Outono, minha estação preferida. Temperatura ontem, 5 graus.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

As algemas de Chen Shui-bian

Boas. Hoje é dia de aula de japonês a partir das 10:30, e depois mais aulas com Doi San, das 13:00 até as 15:00. Nesse intervalo tem o almoço, mas eu sempre vou para a biblioteca antes e espero uma meia horinha para não pegar filas. Nesse meio tempo eu fico lendo os jornais, que no meu caso, por uma questão técnica (eu não consigo ler os jornais em japonês) se limitam aos jornais em inglês, o Herald Tribune e o New York Times. Bem, hoje na capa do Herald Tribune tinha uma foto que me chamou a atenção, essa aí que você vê. É o ex-presidente de Taiwan, sendo preso e, para o meu espanto, algemado. Digo para o meu espanto porque, como bom brasileiro que sou, aprendi com os ilustríssimos senhores juízes do tribunal superior de meu país que algema não é coisa que se use assim, só em "caso de resistência e de fundado receio de fuga..." Eu não acho que eles lá em Taiwan estivessem com medo de que o ex-presidente fosse sair correndo no meio da rua, ou que fosse dar uns tapas na cara dos policiais. Acho que eles usaram a algema lá porque entendem, como o resto do mundo, que algema é símbolo de justiça, de dever cumprido, de separação entre o elemento que quebra a lei e o que vive de acordo com ela. Mas...
Mas o que me impressiona mesmo na foto é que o ex-presidente, Chen Shui-bian não está escondendo as algemas, não as colocou sob uma camisa ou toalha, como os gatunos de cá, pelo contrário, ele as está mostrando, aí eu pensei, hum, o que isso quer dizer?
Eu acho que ele tá querendo dizer que é inocente. Nesse caso as algemas se tornam um símbolo de injustiça. E ele as mostra, porque se for inocente mesmo, a vergonha de estar usando as algemas não é dele, mas do Estado que as colocou em um inocente, do Estado perseguidor, policialesco. É por isso que ele faz questão de as levantar bem alto, para que todos vejam suas algemas, e julguem se elas são um símbolo de justiça ou injustiça, para que julguem sobre quem elas estão trazendo vergonha, para o criminoso, ou para o Estado perseguidor.
Mas graças a Deus, digo, graças aos deuses (os de toga preta) nos no Brasil não precisamos nos preocupar com essas coisas. A única coisa que temos é a não algema para os ricos, impunidade, nosso símbolo maior.


Respondendo:

Rafael: acho que não hein, mesmo pra japonês aquele buraco era pequeno demais!

Kobelus: vidro de perfume com certeza não é...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008


Boas. Bem, como eu disse estive em Nagoya no fim de semana. É que o Renat, como eu já disse aqui, casou-se com uma japonesa. Os amigos de Nagoya não puderam ir ao casamento, porque era meio longe, em Kyusho, então neste fim de semana ele nos convidou a todos para irmos comemorar e celebrar seu casório em um restaurante.
Bom, vocês não odeiam quando alguém os convida para uma festa em um restaurante? Não há como evitar a tensão do pensamento "quem vai pagar a conta." Como essa tensão se faz presente por toda a festa, você nunca fica totalmente confortável para fazer as suas escolhas. É difiícil escolher algo quando você não sabe quem está pagando! Pos favor amigos, evitem isso. Quando me convidarem para uma festa em um restaurante, deixem explícito no convite, "olha, é cada um por si" ou então "olha, boca livre, por minha conta." Assim todos ficamos mais confortáveis!
Bem, no final das contas as contas foram por conta do Renat mesmo, nós fizemos aquela falsa menção de querer pagar, que sempre se faz nessas situações, mas sem nenhuma real intenção e sem insistir muito. Também entregamos, como presente de casamento, uma cafeteira e um pacote de café Pilão, o original do Brasil!
Mas de volta a Otsu, minha amada cidade entre um rio, um lago e várias montanhas, eis que as preocupações esperavam por mim. Hoje era dia de exame médico obrigatório, e para esse exame havia de se levar as famosas fezes e urinas, também conhecidos como cocô e xixi, para o exame. Acontece meus amigos, que o aparato para depósito da minha preciosa urina, era esse aí da foto. Um saco de papel, sem nenhum furo a não ser essa entrada gigante, e um frasco plástico com essa abertura ridícula. Eu juro pra vocês que eu olhei, olhei, pensei, pensei, e desisti. Não sei como eles esperam que eu coloque o meu xixi nesse frasco ridículo. Não vou fazer xixi nesse saco de papel, porque isso não pode dar certo... Não levei meu xixi, e para o cocô não se sentir sozinho, não levei o cocô também. É meus amigos, recebi uma bolsa do governo japonês, estou aqui pesquisando a educação no Brasil e no mundo, mas no final a piada se tornou realidade, reprovei no exame de fezes.


SOBRE MEU ÚLTIMO POST:

Eu acho que não me expliquei muito bem no último post. Eu não acho um problema, ou ruim, que as pessoas façam concurso. O que eu acho ruim é que tenhamos atingido um ponto onde essa é a ÚNICA opção. O que eu gostaria é de viver em um país onde os meus alunos tivessem outras opções também.


Respondendo:

Rafael : Arigatô gozaimas!


valero: não, sei comentário é que foi fonte de inspiração.

Kobelus: Não vejo problema em fazer concurso, só acho triste que seja a única opção.

Taynara: Não há problema algum em querer ganhar dinheiro, só gostaria que a gente vivesse em um país em que as pessoas tivessem mais opções para issso.

Nai: POis é, eu também acho normal. O que eu acho normal é um país que só deixa essa opção para os jovens, e acha isso normal!


Boas. Acabei de chegar do futebol e estou cansadíssimo e com um super friíssimo, assim vou deixar para escrever amanhã, com mais calma e menos cansado. deixo aqui essa foto tirada no fim de semana, quando estive em Nagoya. Besos, David

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

os gatos nascem pobres, mas nascem livres...

O post de hoje é o resultado dos comentários de dois leitores do blog.

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Artigo primeiro da declaração universal dos direitos do homem. Os caras eram bons. Tiveram o cuidado em dizer que as pessoas nascem iguais em DIGNIDADE e DIREITOS, mas não disseram que as pessoas nascem iguais, porque não nascem. Nascem diferentes, e é bom que seja assim.

A coisa mais chata aqui no Japão é a padronização. Até os diferentes são diferentes em bandos, e quando se olha o bando se vê que são iguaizinhos em sua diferença. Um saco. Onde quer que se vá os shoppings são iguais. As estações de trem, iguais. As marcas, iguais. E o Brasil?
Puxa, no Brasil já foi diferente. Eu recebi um email de um colega do tempo do meu 2o grau no Leonardo da Vinci. Escola grande, havia umas dez ou onze turmas diferentes, mas todo mundo falava com todo mundo. Naquela época os alunos não usavam uniformes, e adolescentes que éramos aproveitávamos para mostrar um pouco da nossa originalidade ou preguiça. No meu caso, por preguiça, eu vagava sempre com uma calça de moleton e uma sandália, fácil de calçar nos atrasos das manhãs sonolentas. Esse meu colega, o Diego, (claro que lembro, BIAFRA! hehehe) pelo que me lembro, era mais arrumadinho, coisa e tal. Havia ainda uns cabeludos, umas patricinhas, uns maconheiros, playboys da capoeira, éramos todos amigos, diferentes e tolerantes aí com nossas diferenças. Todo mundo se impressiona quando ouve que a gente é amigo e se fala até hoje.
Quando eu voltei de Campinas após 4 anos de faculdade e mais 2 de mestrado, me espantei em ver que as escolas em Brasília adotavam uniformes. Até hoje acho isso um pecado. A escola quer porque quer fazer todo mundo igual. A escola tenta matar as diferenças, podar os alunos, adestrar as novas peças para o mercado de trabalho e para a sociedade chata em que vivemos. É por isso que quando saem das escolas os alunos são presenteados com uma "formatura" ou seja, aí estão, todos na mesma fôrma.
Quando eu era esse aluno de 2o grau, a gente também sonhava. Uns queriam ser músicos, eu queria ser arqueólogo, outro queria ser médico, uma amiga virou bailarina, e assim a coisa ia. Outro dia recebi o comentário de uma ex aluna, meio que frustrada meio que sem forças, constatando o que todo mundo já sabe: hoje ninguém sonha mais, só queremos ser funcionários públicos.
Eu em pergunto, quando foi que a gente deixou que o nosso país começasse a roubar os sonhos da nossa juventude? Quando foi que a gente passou a achar normal que os nossos filhos não pudessem mais sonhar com profissões, mas que tivessem de se contentar com empregos, bem remunerados, é verdade, mas empregos? Eu não sei, mas sei que a gente perdeu a mão. Tudo é normal. A violência absurda, o político ladrão, uma escola sem imaginação, adolescentes concurseiros. Parece exagero, mas me lembra um poema do maiakóvsky "Na primeira noite eles se aproximam, roubam uma flor de nosso jardim e não dizemos nada. Na segunda noite já não se escondem: pisam nas flores, matam nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, roubam-nos a lua e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta, e porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada." As pessoas são diferentes. Nós temos o direito de sermos diferentes. Se não nos tivessem roubado a voz, poderíamos até gritar isso por aí.

Kobelus: POde crer, Edris pra presidente!

Sams: Saudades, e OBRIGADO!!!

Larissa: hehe, titio, culto, sei, sei, menos, menos. Não corre muito não querida, " a vida é o que acontece com a gente enquanto a gente tá ocupado fazendo planos" John Lennon!

Sarah: Foi realmente empolgante. Você vê que o mundo melhorou, a crise de 29 gerou Hitler e Mussolini, a de 2008 gerou Obama!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Yes, we can

Boas. Apoveitando-me do fuso horário favorável, acompanhei de perto a apuração lá nos States. Além do que, com o frio que anda fazendo, eu tento mesmo passar a maior parte do tempo trancado no meu apartamento, e acompanhar a apuração pareceu-me um programa interessante. Os americanos fizeram, elegeram o preto. "Sim, nós podemos," era o slogan do candidato Obama. Mas será que podem mesmo?
Para nós, brasileiros, a eleição do negão foi um tapa na cara. Nós que sempre acusamos os gringos de racistas e preconceituosos, nós que somos tão modernos e inteligentes, percebemos que a melhor maneira de se tratar um problema é reconhecê-lo. A gente não consegue reconhecer problema, então ele continua, latente, ora dormente, mas sempre pronto a acordar. A verdade é que o Brasil nunca elegeria um negro filho de um imigrante africano. Quantos prefeitos negros o Brasil elegeu nas últimas eleições?
A eleição do negão é a prova de que o sonho americano, aquele que a gente sempre gosta de zombar, é real. Mas o que me deu inveja mesmo foi ver que os americanos se empolgaram, os jovens compareceram, os empresários ofereceram cafés e rosquinhas para quem fosse votar, enfim, as pessoas se sentiram inspiradas. Quando foi a última vez que um político inspirou os eleitores no Brasil?
Se o Negão vai ser ou não um bom presidente, eu não sei. Mas ele terá de se esforçar muito para ser pior do que o Bush. E antes que a gente se afobe em provar a burrice americana dizendo que eles elegeram o Bush, não nos esqueçamos que a maior cidade do Brasil elegeu Frank Aguiar, Clodovil e Paulo Maluf para a câmara, que Brasília elegeu e elegeu de novo e de novo Joaquim Roriz e para finalizar, elegeu ainda o chorão-menino-de-recados-de-ACM- fraudador-de-painéis-eletrônicos.
Na eleição americana, dependendo do estado, eles escolhem desde presidente até diretor de escola. Parece que em São Francisco Bush estava concorrendo. Havia um plebiscito para colocar o nome de Bush em uma estação de esgoto. Ele perdeu. O nome de Bush não serve mais nem para ir para o esgoto. Sim, eles podem.

Respondendo:


Tatá: Coragem!!!

Kobelus: Que bom que voltou hein! Ninguém estava comentando mais!

Valero: Siga em frente querida, de quando em quando bate uma maresia mas faculdade é assim mesmo, no final você vai ver que valeu a pena! Besos1

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Reflexões



Boas. Ontem, enquanto estava relaxando em meu ofurô (hehehe, a chei um jeito de encaixar essa frase) fiquei pensando sobre a vida. Nessas de pensar sobre a vida, o que pode ser uma tarefa extremamente perigosa, lembrei-me do meu primeiro emprego de "carteira assinada": escriturário do Banco do Brasil. Escriturário é o cara que veste um colete amarelo ecrito "posso ajudar?" e tenta fazer com que os velhinhos e analfabetos funcionais do Brasil consigam operar as nem sempre simples máquinas do auto-atendimento.
Eu me lembrei que para executar essa tarefa, que venhamos, não é tão complicada assim, o governo me mandou para São Paulo, onde fiquei uma semana hospedado em um hotel cinco estrelas fazendo um treinamento. O treinamento consistia basicamente em ensinar uma coisa aqui e outra ali e a fazer uma lavagem cerebral no sujeito para que ele acreditasse que o Banco do Brasil é a melhor empresa do mundo. Além é claro daquelas estúpidas palestras motivacionais onde um sujeito que se chama "consultor" ganha rios de dinheiro para falar frases estúpidas a la Paulo Coelho, tipo "na África todo dia uma gazela e um leão acordam e correm. A gazela corre para não ser alcançada pelo leão, o leão corre para alcançar seu alimento, a gazela. A vida é uma selva, todas as manhãs nós acordamos e temos de correr. A escolha é sua, você vai correr com as gazelas ou com os leões?" Bem, aquilo foi tão ridículo que marcou a minha pobre personalidade, e hoje, passados quase dez anos, ainda me lembro. Fora isso esse negócio de correr com gazelas, sei não. Enfim, é uma gigante bobagem capitalista reduzir a vida a uma corrida de leões e gazelas. Eu de minha parte, sou um contemplador, e aí nessa foto vocês podem me ver parado, sem correr para canto algum, vendo as folhas de outono no Japão e gostando muito de tudo isso.
Mas o que realmente me chamou atenção nessas reflexões de ontem, foi que eu me lembrei de que quando assumi o posto de professor da Fundação Educacional do DF, recebi uma carta para ir a uma escola tal em Sobradinho. Quando cheguei a escola, o cara me falou, "você é o professor de história?" Eu que não sabia bem qual era a resposta para aquela pergunta respondi meio sem confiança "sou." Aí ele, "me segue". Então o sujeito me fez entrar em uma sala com uns quarenta alunos gritando porque afinal não tinha nem um professor em sala, gritou "aí pessoal, silêncio, fulaninho dessa da cadeira, esse aqui é o novo professor de história!" olhou pra mim e disse um "boa sorte" meio sarcástico. Era isso.
Moral da história: para ser um escriturário do banco do Brasil o governo acredita que eu preciso de uma semana de treinamento. Para ser professor, não. Aliás, sejamos mais justos, todo mundo que entra em uma carreira pública qualquer passa por um treinamento, menos o professor. Pergunta: é certo isso? Não. é só uma prova da REAL medida do valor que o gover no dá para o assunto.

Dado: Salários iniciais (aproximados) para 40 horas no DF, valor BRUTO

Agente de polícia civil: 7.000
Soldado PM: 4.000
Professor:3.000

Educar, pra quê? Vamô prender!!!!!!!!!!

Respondendo:

Rafael: é muito bonito mesmo!

larissa: pô, também tô com saudades! vc. sumiu!

Valero: Es cierto, tuvo dos estudiantes mexicanos sólo... Pero los dos éran Valero! Vuelvo en Abril ou Marzo... Y la faculdad cómo estás? enviá un beso a tu hermana, besos,