segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Viagem a hirogano
























































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Boas. Aí estão algumas fotos da viagem que eu fiz com o meu professor e a coreana para a casa de campo dele. A viagem foi super tranquila, o outono proporcionou novamente paisagens incríveis. De manhã eu, para impressionar, fiz esses deliciosos pães que vocês podem ver nas fotos. Em uma das fotos também vocês podem ver a coreana com uma placa, que diz "floresta dos sábios" bem, alguma coisa próxima disso...
A gente saiu de Otsu as 7:30 da manhã, e fomos parando no caminho. Uma das paradas foi esse patrimônio cultural da humanidade Shirakawa-go, onde eu estou fazendo amizade com os espantalhos. Nessa região as casas tem esse formato de telhado porque neva muito, e assim a neve não se acumula nas telhas. É um dos lugares mais bonitos que eu já vi, e eu lamentei o fato de não ter uma dessas câmeras profissionais para tirar fotos mais legais do lugar. Depois nós fomos para uma cidadezinha pequena próxima do lugar onde meu professor tem sua casa de campo, e compramos a comida para o jantar e o café da manhã. Eu peguei um quilo de farinha de trigo e um pacote de queijo, e falei que com aquilo eu faria o nosso café da manhã. Os dois não botaram muita fé nas minhas habilidades, aí eu tive de contar de como eu sou ninja e de como eu consigo alimentar até 500 pessoas com um pacote de farinha de trigo e água. A casa de campo do meu professor é bem bacana, e fica próxima a uma estação de esqui, mas nessa região a neve só vai chegar mesmo em Dezembro, por agora só está nevando em Hokkaido. É claro que o meu professor quis ir até um Onsen, então de noite lá fomos nós para um Onsen. Eu até que agora já me acostumei, e gosto de tomar banho em Onsen. Lá existem espaços com banquinhos, sabonete líquido e shampoo, onde você senta e se lava. Depois há vários tipos de piscinas, jacuzis, tudo com água termal dos vulcões. É claro que existe o incoveniente de ficar pelado junto com mais um tantão de macho, mas enfim, quem não deve não teme e, acreditem, no Japão ninguém precisa temer!
A noite meu professor começou a roncar em frente a TV, e foi logo dormir. Eu fiquei assistindo a um programa desses ridículos que há por aqui com a coreana, Con san. Aliás falando com ela, tive a sensação de que quanto mais o tempo passa, mais difécil é para as das coréias voltarem a ser uma. Agora ainda há pessoas com parentes e memórias na outra coréia, mas a geração de Con san já não tem mais essa ligação tão forte e ela e seus amigos por exemplo nem querem que a coréia do sul se una novamente a coréia do norte, porque para eles isso significaria simplesmente a coréia do sul entregar um monte de dinheiro para fazer com que o norte se desenvolva.
No outro dia de manhã eu provei que sou ninja mesmo e fiz os pães com a farinha de trigo, e coloquei o queijo derretido pra complemetar. Tudo bem que o japonês de manhã come sopa com arroz e peixe, mas meu professor até que não reclamou deste café da manhã mais, digamos assim, ocidental.
Na volta ainda paramos em um castelo para ver as momijins, e chegamos de volta a Otsu por voltas das 4 da tarde. Eu estava quebrado, mas a viagem valeu a pena.

Momijin














































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Boas. É época dp Momijin. Momijin é aquela árvore cuja folha orgulhosamenta se ostenta na bandeira do Canadá. Lá eles a chamam de Mapple tree, aqui eles a chamam Momijin. No Japão a primavera é tempo das sakuras, multidões se acotovelam nos parques, todas as primaveras, para fotografar as sakuras. Agora, as mesmas multidões novamente se aglomeram, mas para fotografar as folhas amarelas e vermelhas que são o símbolo do outono. É impressionante ver tanta gente. Ontem por exemplo era uma segunda feira, dia de trabalho, e kyoto estava intransitável. centenas de ônibus de excursões, estudantes, velhinhos e velhinhas, jovens, gaijins, tinha de tudo. Eu fiquei pensando, puxa, mas e aquele estereótipo de que japonês só trabalha, essa japonesaiada toda não deveria estar trabalhando agora?Bem, não sei, só sei que não estavam, estavam com suas modernas máquinas em mãos, fotografando a natureza.
Isso me fez pensar também que no Brasil a gente não faz muito isso. É meio irônico, porque a gente se julga o país com as maiores belezas naturais do mundo (aliás acho que isso faz parte do nosso complexo de vira-latas, como a gente na verdade se acha inferior, usa desses mecanismos de defesas dizendo que tudo no Brasil é o mais belo e maior, a melhor natureza, as mulheres mais belas, o povo mais criativo, o melhor futebol, aquela lenga-lenga toda...) mas bem, se a gente gosta tanto assim da nossa natureza, porque a gente não sai, fotografa, vai aos parques, tenta visitar a amazônia ao invés de todo verão ir para a mesma praia, ou todo carnaval para a Bahia, enfim, não sei. Quando a gente vem morar fora, a nossa cabeça começa a pensar em um monte de perguntas sobre nós mesmo e nosso país, mas infelizmente, nem sempre ela pensa nas respostas... Bem, tudo o que sei é que, como eu já disse aqui, adoro o outono, e nas fotos vocês podem ver um pouquinho do porquê.

sábado, 15 de novembro de 2008

Fotos da última viagem






































Algumas fotos da última viagem. Ainda tô meio quebrado, há tempos que eu não acordava tão cedo... Depois eu falo um pouquinho sobre como foi a viagem...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

As sacolas plásticas e as ilhas Maldivas

Vocês sabem as Ilhas Maldivas? Não? Hum, ficam no oceano índico, ali a direita de quem vai pra Índia, segundo farol depois do Sri Lanka, antigo Ceilão. Vocês conseguem imaginar a ligação entre as ilhas maldivas e a minha sacola de compras aí ao lado? Bom, vou tentar explicar...
Como já disse, fim de semana passado estive em Nagoya. Notei uma coisinha que mudou por lá - se você for fazer compras e não levar a sua sacola, paga pela sacola de plástico. Aqui em Otsu você não paga, mas tem desconto se levar a sua sacola. É por isso que eu sempre levo essa fubanga aí do lado. Quando eu cheguei aqui no Japão eu realmente me impressionei em como eles tratam essa questão do meio ambiente seriamente. O lixo por exemplo. No começo é um saco, tem de separar tudo, tem dia certo pra colocar o lixo certo pra fora, tem as sacolas próprias de cores diferentes, mas depois de um tempo a gente acaba se acostumando. Todo mundo sabe que um dos maiores vilões do meio ambiente são as famigeradas sacolas plásticas, essas sacolinhas de supermercado. Aqui no Japão quase ninguém usa. Agora em Nova Iorque o prefeito Bloomberg quer passar a cobrar também pelas sacolas plásticas. Pelo que li a confusão lá tá grande. Na França, há um bom tempo que se tem de pagar pela sacola plástica. E o pior é que tanto aqui como lá, se você esquece a sua sacola e tem de comprar uma sacolinha plástica pra levar as compras, as pessoas te dão aquele olhar de reprovação.
Vejam, eu nunca fui um ecoxiita, e continuo não sendo. Mas vejo que algumas coisas que são simples, que a gente podia fazer aí no Brasil, a gente não faz. Acho que isso é um efeito perverso daquela nossa brasilidade. Aqui e também nos E.U.A e na Europa, as pessoas são muito mais individualistas do que no Brasil. Então elas pensam, "vou fazer a minha parte, vou fazer o meu, e que se lixe o resto do povo," tipo "cada um no seu quadrado verde." No Brasil, a gente pensa, "pô, nem vou fazer, porque sei que neguinho do lado num tá fazendo nada mesmo, então eu sozinho não vai ter efeito nenhum, logo..."
Eu não sei porque a gente tá tão atrasado nessa quentão do lixo, das sacolinhas plásticas. Acho que não custava nada a gente começar, por exemplo, a não usar as sacolas de plástico aí no Brasil também.
As Ilhas Maldivas? Ah, o novo presidente, Mohamed Nasheed, tomou posse essa semana. Uma das promessas de campanha foi usar parte das reservas nacionais para comprar uma porção de terra no Sri Lanka ou na Índia. É que as ilhas Maldivas ficam a apenas poucos metros acima do nível do mar, e com o aquecimento global do jeito que tá, eles correm o sério risco de desaparecerem debaixo das águas do Oceano Índico. Por isso o presidente quer comprar essa terras, para que em caso de emergência, o povo das Ilhas Maldivas tenham um poquinho de terra firme.
Então aí vai o apelo. O Povo, vamos separar o lixo, vamos banir as sacolinhas plásticas. Deixem o povo das ilhas Maldivas em paz. Eles agradecem.

PS: Ficarei fora uns dias. Meu amado orientador convidou a Koreana, eu e a Chinesa para passarmos o fim de semana na casa de campo dele, num lugar frio pra caracas. Já imaginaram a situação né, só espero não ter de tomar banho de Ofurô pelado com ele de novo! Ai, ai, ai, eu me meto em cada uma...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Universidade de Shiga - Ontem de tarde.








































































Ontem, depois das estafantes aulas, tirei essas fotos do Campus em um típico dia de Outono, minha estação preferida. Temperatura ontem, 5 graus.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

As algemas de Chen Shui-bian

Boas. Hoje é dia de aula de japonês a partir das 10:30, e depois mais aulas com Doi San, das 13:00 até as 15:00. Nesse intervalo tem o almoço, mas eu sempre vou para a biblioteca antes e espero uma meia horinha para não pegar filas. Nesse meio tempo eu fico lendo os jornais, que no meu caso, por uma questão técnica (eu não consigo ler os jornais em japonês) se limitam aos jornais em inglês, o Herald Tribune e o New York Times. Bem, hoje na capa do Herald Tribune tinha uma foto que me chamou a atenção, essa aí que você vê. É o ex-presidente de Taiwan, sendo preso e, para o meu espanto, algemado. Digo para o meu espanto porque, como bom brasileiro que sou, aprendi com os ilustríssimos senhores juízes do tribunal superior de meu país que algema não é coisa que se use assim, só em "caso de resistência e de fundado receio de fuga..." Eu não acho que eles lá em Taiwan estivessem com medo de que o ex-presidente fosse sair correndo no meio da rua, ou que fosse dar uns tapas na cara dos policiais. Acho que eles usaram a algema lá porque entendem, como o resto do mundo, que algema é símbolo de justiça, de dever cumprido, de separação entre o elemento que quebra a lei e o que vive de acordo com ela. Mas...
Mas o que me impressiona mesmo na foto é que o ex-presidente, Chen Shui-bian não está escondendo as algemas, não as colocou sob uma camisa ou toalha, como os gatunos de cá, pelo contrário, ele as está mostrando, aí eu pensei, hum, o que isso quer dizer?
Eu acho que ele tá querendo dizer que é inocente. Nesse caso as algemas se tornam um símbolo de injustiça. E ele as mostra, porque se for inocente mesmo, a vergonha de estar usando as algemas não é dele, mas do Estado que as colocou em um inocente, do Estado perseguidor, policialesco. É por isso que ele faz questão de as levantar bem alto, para que todos vejam suas algemas, e julguem se elas são um símbolo de justiça ou injustiça, para que julguem sobre quem elas estão trazendo vergonha, para o criminoso, ou para o Estado perseguidor.
Mas graças a Deus, digo, graças aos deuses (os de toga preta) nos no Brasil não precisamos nos preocupar com essas coisas. A única coisa que temos é a não algema para os ricos, impunidade, nosso símbolo maior.


Respondendo:

Rafael: acho que não hein, mesmo pra japonês aquele buraco era pequeno demais!

Kobelus: vidro de perfume com certeza não é...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008


Boas. Bem, como eu disse estive em Nagoya no fim de semana. É que o Renat, como eu já disse aqui, casou-se com uma japonesa. Os amigos de Nagoya não puderam ir ao casamento, porque era meio longe, em Kyusho, então neste fim de semana ele nos convidou a todos para irmos comemorar e celebrar seu casório em um restaurante.
Bom, vocês não odeiam quando alguém os convida para uma festa em um restaurante? Não há como evitar a tensão do pensamento "quem vai pagar a conta." Como essa tensão se faz presente por toda a festa, você nunca fica totalmente confortável para fazer as suas escolhas. É difiícil escolher algo quando você não sabe quem está pagando! Pos favor amigos, evitem isso. Quando me convidarem para uma festa em um restaurante, deixem explícito no convite, "olha, é cada um por si" ou então "olha, boca livre, por minha conta." Assim todos ficamos mais confortáveis!
Bem, no final das contas as contas foram por conta do Renat mesmo, nós fizemos aquela falsa menção de querer pagar, que sempre se faz nessas situações, mas sem nenhuma real intenção e sem insistir muito. Também entregamos, como presente de casamento, uma cafeteira e um pacote de café Pilão, o original do Brasil!
Mas de volta a Otsu, minha amada cidade entre um rio, um lago e várias montanhas, eis que as preocupações esperavam por mim. Hoje era dia de exame médico obrigatório, e para esse exame havia de se levar as famosas fezes e urinas, também conhecidos como cocô e xixi, para o exame. Acontece meus amigos, que o aparato para depósito da minha preciosa urina, era esse aí da foto. Um saco de papel, sem nenhum furo a não ser essa entrada gigante, e um frasco plástico com essa abertura ridícula. Eu juro pra vocês que eu olhei, olhei, pensei, pensei, e desisti. Não sei como eles esperam que eu coloque o meu xixi nesse frasco ridículo. Não vou fazer xixi nesse saco de papel, porque isso não pode dar certo... Não levei meu xixi, e para o cocô não se sentir sozinho, não levei o cocô também. É meus amigos, recebi uma bolsa do governo japonês, estou aqui pesquisando a educação no Brasil e no mundo, mas no final a piada se tornou realidade, reprovei no exame de fezes.


SOBRE MEU ÚLTIMO POST:

Eu acho que não me expliquei muito bem no último post. Eu não acho um problema, ou ruim, que as pessoas façam concurso. O que eu acho ruim é que tenhamos atingido um ponto onde essa é a ÚNICA opção. O que eu gostaria é de viver em um país onde os meus alunos tivessem outras opções também.


Respondendo:

Rafael : Arigatô gozaimas!


valero: não, sei comentário é que foi fonte de inspiração.

Kobelus: Não vejo problema em fazer concurso, só acho triste que seja a única opção.

Taynara: Não há problema algum em querer ganhar dinheiro, só gostaria que a gente vivesse em um país em que as pessoas tivessem mais opções para issso.

Nai: POis é, eu também acho normal. O que eu acho normal é um país que só deixa essa opção para os jovens, e acha isso normal!