Boas. Hoje eu explorei de bicicleta umas partes da cidade que ainda não conhecia. E parece que a presença de brasileiros é forte nessa parte que eu não conhecia. Achei um supermercado que vendia leite ninho, creme de leite, polvilho doce - que eu pensei em comprar mas depois me dei conta que eu não sabia muito bem o que fazer com polvilho doce- leite moça, feijão pronto, feijão não pronto e fitinhas do senhor do bonfim. Também passei em uma loja de esportes onde pude perceber uns dois brasileiros, é que não tem jeito, eu aprendi a conhecer brasieliro aqui só no jeito de andar, sou praticamente um expert.
Mas fora isso coloquei aí as fotos dos meus dois professores voluntários. São voluntários mesmo, não ganham nada. O garoto é aposentado de uma usina nuclear e agora tá fazendo mestrado em educação, e se ofereceu para me dar aulas de história do Japão, pelo quadro vocês podem perceber que eu sofro um pouco. A garota é professora aposentada e se ofereceu para me dar aulas de coversação, a gente vai pra cafeteria conversa sobre a minha pesquisa e coisas em geral. Eles também sempre estão me levando pra conhecer um lugar ou outro, coisa e tal. Ela além de não ganhar nada, ainda mora em outra cidade, e gasta pelo menos uns 200 reais por semana pra vir até Otsu e ensinar a mim e mais uns dois vietnamitas e uma tailandesa.
eu fiquei pensando qual a razão de ser tão comum o trabalho desses voluntários no Japão, e o porquê de a recíproca não ser verdadeira para o Brasil. Acho que talvez uma das coisas que explique, é que o Japão é uma sociedade mais organizada, as pessoas, quando envelhecem, percebem que a sociedade e o Estado fizeram algo por elas, e talvez isso as motive a dar algo em troca. No Brasil, não precisamos envelhecer para notar que a sociedade e o Estado nada nos dão, e se possível ainda nos tirarão o pouco que temos, por isso talvez nos tornemos mais egoístas e consideremos o altruísmo uma espécie de "otarice." Quando envelhecemos, a única cois que temos a oferecer, é a saudade de tempos que parece que foram sempre melhores. É que, como disse Guimarães Rosa, "toda saudade é uma espécie de velhice".Mas quem sabe a gente também cosiga fazer da nossa velhice um dia menos saudade do que foi e mais ação para o que está por vir. Tomara.
Bem, esse post ficou filosófico demais, amanhã pra compensar eu coloco a foto que tirei de ontem a noite, quando meus vizinhos e vizinhas japoneses estiveram aqui pra gente jogar papo fora. Beijos, David.
Respondendo:
Lara: Pois é, já me falaram que essa modéstia é meu único defeito... heheheh, Beijos,