terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sobre feriados








































Boas. Andei sumido, eu sei. É que foi feriado. Aliás eu deixo aqui registrada minha opinião para que o governo brasileiro se inspire um pouco naquilo que faz o governo japonês em relação aos feriados. Dia 23 é dia do trabalho aqui, ou, pelo o que pude entender, alguma coisa parecida com isso. Bem, acontece que dia 23 de novembro, esse ano, caiu em um domingo. Então pergunta-se, qual é a razão de ser de um feriado? Um feriado serve para que as pessoas, saindo de sua rotina normal, comemorem (do latim Co- junto + memorae-lembrar) uma certa data. Só que se o dito feriado cai em um fim de semana, o sentido se esvazia, já que no fim de semana a rotina já é fazer nada.
então o que faz o governo japonês nessas ocasiões? Feriado substituto! Esse é o nome. Segunda feira foi feriado substituto, ou seja, já que o feriado mesmo caiu em um domingo, façamos outro feriado pra substituir na segunda feira! E eu que sempre pensei que em matéria de feirados nós éramos os experts...
Bem, eu fui a Kyoto no feriado, ainda vendo as folhas vermelhas, agora de noite iluminadas, como vocês pdem conferir pelas fotos. Mas também tive de preparar um seminário para hoje. Mas sobre isso eu falo mais no post aí de cima! Adios!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Jardins


























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Boas. Os dias continuam lindos, mas cada vez mais frios. Eu tenho resistido ao máximo ligar o aquecedor, mas ontem me peguei com 3 meias e luvas de esqui dentro de casa, acho que já é hora de fazer o bichinho funcionar. Quem sabe ele não quebra também e me dá a chance de receber mais alguns dólares né? Aliás, como tem bicão nesse mundo! A média de comentários de posts nesse blog é um, máximo 2 comentários por post, foi só eu falar que eu não ia pagar mais aluguel e com isso economizar uns trocados que já veio um monte de bicão querendo presente! Aff, pobre é fogo viu!
Bem, ontem eu fui a Hikone, cidade que fica a duas horas daqui. Fui de carro com o Doi San, que resolveu ser meu mehor amigo e vive me levando pra passear. Segunda me levou pra Kyoto, pagpu almoço, jantar e todas as entradas para os templos e jardins de Kyoto. Ontem fomos de carro apra Hikone, e na volta novamente me levou para um desses restaurantes chiques. Eu até que finjo que vou pagar a minha parte, faço aquela cena, coisa e tal, mas já sei que ele não vai aceitar, graças a Deus. Mas segunda e ontem eu me deparei com um verdade que nunca tinha percebido no Brasil. A gente acha que japonês é bom de tecnologia, sabe fazer carro, robô, essas coisas. isso tudo é bobagem. Pelo menos não é o mais importante. Acho que o mais importante produto japonês, aquele que realmente deveria ser mostrado para o resto do mundo e motivo de orgulho, não deveria ser o corolla ou o civic, ou esses lap tops minísculos, mas sim os jardins. Sim amiguinhos, os jardins.
O jardim japonês é uma metáfora, não tem flores porque essas são passageiras, sempre tem uma ponte, um lago, pedras, lanternas, e cada coisa tem o seu significado. Mas eu não ligo muito pra isso não eu gosto mesmo é de estar lá, no jardim, vendo as coisas bonitas, sem significado mesmo, vendo só por ver. Coloquei aí em cima uma foto de um jardim que vi ontem.
Se você tiver um tempo este fim de semana, vai ver um jardim!

Respondendo

Sem respostas para vocês, bando de pidões!!!! Quando eu voltar vocês vão estar tão alegres que presentes serão um detalhe menor!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O NEGOCIADOR


Boas. Quem vê essa cara de preguiça, de um sonolento brasileiro no frio japonês, não imagina o tremendo negociador que existe aí. Vejam o seguinte caso:
Vocês se lembram que meu aquecedor deu pau, e começou a sair água e inundou o ap, e eu tive de me mudar por uma semana para um outro quarto? Pois é, depois de tudo arrumado, os caras em mandaram de volta para o meu quarto e me mandaram uma funcionária da empresa que falava inglês para se desculpar e coisa e tal. O problema é que o inglês da dita funcionária era pior do que "the book is on the table" que ela provavelmente diria "The brook is in the tabru". Mas essa nem era a maior arma da dita funcionária, sua maior arma era mesmo o bafo. Sabe aquele hálito horrível? Agora some a ele um bafo de cigarro de três dias. Era isso. Eu que já não suporto bafo de cigarro ( por isso que até hoje não beijei nenhuma modelo, pois como vocês sabem elas fumam para manter o peso, bem, por isso e também porque até hoje nenhuma me quis beijar), fiquei com dor de cabeça só de conversar com a mulher por dois minutos. Mas depois que ela saiu eu pensei, puxa, não é justo os japas virem aqui e só dizerem "desculpa!" Eu sou um pesquisador que fiquei sem poder "trabalhar" por uma semana por conta da mudança de apartamentos, sem falar que quando retornei ao meu apartamento ainda tive de fazer uma faxina! Não, isso não vai ficar assim!
Fui até a universidade e falei para a Yamaguchi san ligar para a empresa e dizer que eu estava chateado, e queria algo mais. Bem, dois dias depois eles me chamaram para uma reunião com três funcionários da empresa, inclusive a bafo de onça fumante. Eu pensei, puxa, pelo menos uma camisa da empresa, uma sacola, sei lá, um lápis promocional esses caras vão ter de dar. Então eu coloquei toda a minha agonia e sofrimento, e no melhor estilo ocidental de negociação, perguntei como eles estariam dispostos a ressarcir meus prejuízos. Eles, no melhor estilo oriental, perguntaram o que eu queria. Hum, eu não estava pronto para essa pergunta, sei lá o que eu quero, e pior, eu nem sabia direito o que era certo ou errado pedir. Então, mas uma vez seguindo meu estilo agressivo de negociação, moldado por vários episódios de "o aprendiz" pensei, vou pedir 10x pra tentar conseguir x, então eu falei "olha, já paguei meu aluguel até dezembro, teria ainda de pagar janeiro fevereiro e um pouquinho de março, já que em março eu volto para o Brasil, então eu quero não pagar mais meu aluguel nesse período." Eles me olharam com uma cara estranha, eu pensei, "oh oh, acho que pedi demais," e falaram que precisariam de um tempo para discutir a proposta com não sei quem. Hoje deram a resposta - eu não preciso mais pagar aluguel! uns mil e pouco dólares economizados graças a minha habilidade como negociador. Com direito ainda a seguinte em pérola em inglês "resolvemos aceitar e dar esse dinheiro de consolação pelas dores mentais sofridas!"
Viu, é fácil, lute pelos seus direitos, se não der, tente pelo menos os esquerdos!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Viagem a hirogano
























































(CLIQUE NAS FOTOS PARA TORNÁ-LAS MAIS MAIOR DE GRANDE!)

Boas. Aí estão algumas fotos da viagem que eu fiz com o meu professor e a coreana para a casa de campo dele. A viagem foi super tranquila, o outono proporcionou novamente paisagens incríveis. De manhã eu, para impressionar, fiz esses deliciosos pães que vocês podem ver nas fotos. Em uma das fotos também vocês podem ver a coreana com uma placa, que diz "floresta dos sábios" bem, alguma coisa próxima disso...
A gente saiu de Otsu as 7:30 da manhã, e fomos parando no caminho. Uma das paradas foi esse patrimônio cultural da humanidade Shirakawa-go, onde eu estou fazendo amizade com os espantalhos. Nessa região as casas tem esse formato de telhado porque neva muito, e assim a neve não se acumula nas telhas. É um dos lugares mais bonitos que eu já vi, e eu lamentei o fato de não ter uma dessas câmeras profissionais para tirar fotos mais legais do lugar. Depois nós fomos para uma cidadezinha pequena próxima do lugar onde meu professor tem sua casa de campo, e compramos a comida para o jantar e o café da manhã. Eu peguei um quilo de farinha de trigo e um pacote de queijo, e falei que com aquilo eu faria o nosso café da manhã. Os dois não botaram muita fé nas minhas habilidades, aí eu tive de contar de como eu sou ninja e de como eu consigo alimentar até 500 pessoas com um pacote de farinha de trigo e água. A casa de campo do meu professor é bem bacana, e fica próxima a uma estação de esqui, mas nessa região a neve só vai chegar mesmo em Dezembro, por agora só está nevando em Hokkaido. É claro que o meu professor quis ir até um Onsen, então de noite lá fomos nós para um Onsen. Eu até que agora já me acostumei, e gosto de tomar banho em Onsen. Lá existem espaços com banquinhos, sabonete líquido e shampoo, onde você senta e se lava. Depois há vários tipos de piscinas, jacuzis, tudo com água termal dos vulcões. É claro que existe o incoveniente de ficar pelado junto com mais um tantão de macho, mas enfim, quem não deve não teme e, acreditem, no Japão ninguém precisa temer!
A noite meu professor começou a roncar em frente a TV, e foi logo dormir. Eu fiquei assistindo a um programa desses ridículos que há por aqui com a coreana, Con san. Aliás falando com ela, tive a sensação de que quanto mais o tempo passa, mais difécil é para as das coréias voltarem a ser uma. Agora ainda há pessoas com parentes e memórias na outra coréia, mas a geração de Con san já não tem mais essa ligação tão forte e ela e seus amigos por exemplo nem querem que a coréia do sul se una novamente a coréia do norte, porque para eles isso significaria simplesmente a coréia do sul entregar um monte de dinheiro para fazer com que o norte se desenvolva.
No outro dia de manhã eu provei que sou ninja mesmo e fiz os pães com a farinha de trigo, e coloquei o queijo derretido pra complemetar. Tudo bem que o japonês de manhã come sopa com arroz e peixe, mas meu professor até que não reclamou deste café da manhã mais, digamos assim, ocidental.
Na volta ainda paramos em um castelo para ver as momijins, e chegamos de volta a Otsu por voltas das 4 da tarde. Eu estava quebrado, mas a viagem valeu a pena.

Momijin














































(CLIQUE NAS FOTOS PARA TORNÁ-LAS MAIS MAIOR DE GRANDE!)

Boas. É época dp Momijin. Momijin é aquela árvore cuja folha orgulhosamenta se ostenta na bandeira do Canadá. Lá eles a chamam de Mapple tree, aqui eles a chamam Momijin. No Japão a primavera é tempo das sakuras, multidões se acotovelam nos parques, todas as primaveras, para fotografar as sakuras. Agora, as mesmas multidões novamente se aglomeram, mas para fotografar as folhas amarelas e vermelhas que são o símbolo do outono. É impressionante ver tanta gente. Ontem por exemplo era uma segunda feira, dia de trabalho, e kyoto estava intransitável. centenas de ônibus de excursões, estudantes, velhinhos e velhinhas, jovens, gaijins, tinha de tudo. Eu fiquei pensando, puxa, mas e aquele estereótipo de que japonês só trabalha, essa japonesaiada toda não deveria estar trabalhando agora?Bem, não sei, só sei que não estavam, estavam com suas modernas máquinas em mãos, fotografando a natureza.
Isso me fez pensar também que no Brasil a gente não faz muito isso. É meio irônico, porque a gente se julga o país com as maiores belezas naturais do mundo (aliás acho que isso faz parte do nosso complexo de vira-latas, como a gente na verdade se acha inferior, usa desses mecanismos de defesas dizendo que tudo no Brasil é o mais belo e maior, a melhor natureza, as mulheres mais belas, o povo mais criativo, o melhor futebol, aquela lenga-lenga toda...) mas bem, se a gente gosta tanto assim da nossa natureza, porque a gente não sai, fotografa, vai aos parques, tenta visitar a amazônia ao invés de todo verão ir para a mesma praia, ou todo carnaval para a Bahia, enfim, não sei. Quando a gente vem morar fora, a nossa cabeça começa a pensar em um monte de perguntas sobre nós mesmo e nosso país, mas infelizmente, nem sempre ela pensa nas respostas... Bem, tudo o que sei é que, como eu já disse aqui, adoro o outono, e nas fotos vocês podem ver um pouquinho do porquê.

sábado, 15 de novembro de 2008

Fotos da última viagem






































Algumas fotos da última viagem. Ainda tô meio quebrado, há tempos que eu não acordava tão cedo... Depois eu falo um pouquinho sobre como foi a viagem...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

As sacolas plásticas e as ilhas Maldivas

Vocês sabem as Ilhas Maldivas? Não? Hum, ficam no oceano índico, ali a direita de quem vai pra Índia, segundo farol depois do Sri Lanka, antigo Ceilão. Vocês conseguem imaginar a ligação entre as ilhas maldivas e a minha sacola de compras aí ao lado? Bom, vou tentar explicar...
Como já disse, fim de semana passado estive em Nagoya. Notei uma coisinha que mudou por lá - se você for fazer compras e não levar a sua sacola, paga pela sacola de plástico. Aqui em Otsu você não paga, mas tem desconto se levar a sua sacola. É por isso que eu sempre levo essa fubanga aí do lado. Quando eu cheguei aqui no Japão eu realmente me impressionei em como eles tratam essa questão do meio ambiente seriamente. O lixo por exemplo. No começo é um saco, tem de separar tudo, tem dia certo pra colocar o lixo certo pra fora, tem as sacolas próprias de cores diferentes, mas depois de um tempo a gente acaba se acostumando. Todo mundo sabe que um dos maiores vilões do meio ambiente são as famigeradas sacolas plásticas, essas sacolinhas de supermercado. Aqui no Japão quase ninguém usa. Agora em Nova Iorque o prefeito Bloomberg quer passar a cobrar também pelas sacolas plásticas. Pelo que li a confusão lá tá grande. Na França, há um bom tempo que se tem de pagar pela sacola plástica. E o pior é que tanto aqui como lá, se você esquece a sua sacola e tem de comprar uma sacolinha plástica pra levar as compras, as pessoas te dão aquele olhar de reprovação.
Vejam, eu nunca fui um ecoxiita, e continuo não sendo. Mas vejo que algumas coisas que são simples, que a gente podia fazer aí no Brasil, a gente não faz. Acho que isso é um efeito perverso daquela nossa brasilidade. Aqui e também nos E.U.A e na Europa, as pessoas são muito mais individualistas do que no Brasil. Então elas pensam, "vou fazer a minha parte, vou fazer o meu, e que se lixe o resto do povo," tipo "cada um no seu quadrado verde." No Brasil, a gente pensa, "pô, nem vou fazer, porque sei que neguinho do lado num tá fazendo nada mesmo, então eu sozinho não vai ter efeito nenhum, logo..."
Eu não sei porque a gente tá tão atrasado nessa quentão do lixo, das sacolinhas plásticas. Acho que não custava nada a gente começar, por exemplo, a não usar as sacolas de plástico aí no Brasil também.
As Ilhas Maldivas? Ah, o novo presidente, Mohamed Nasheed, tomou posse essa semana. Uma das promessas de campanha foi usar parte das reservas nacionais para comprar uma porção de terra no Sri Lanka ou na Índia. É que as ilhas Maldivas ficam a apenas poucos metros acima do nível do mar, e com o aquecimento global do jeito que tá, eles correm o sério risco de desaparecerem debaixo das águas do Oceano Índico. Por isso o presidente quer comprar essa terras, para que em caso de emergência, o povo das Ilhas Maldivas tenham um poquinho de terra firme.
Então aí vai o apelo. O Povo, vamos separar o lixo, vamos banir as sacolinhas plásticas. Deixem o povo das ilhas Maldivas em paz. Eles agradecem.

PS: Ficarei fora uns dias. Meu amado orientador convidou a Koreana, eu e a Chinesa para passarmos o fim de semana na casa de campo dele, num lugar frio pra caracas. Já imaginaram a situação né, só espero não ter de tomar banho de Ofurô pelado com ele de novo! Ai, ai, ai, eu me meto em cada uma...