quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Aqui com os meus Butões


Boas. Estava vendo algumas fotos das viagens, e quando via as fotos das viagem ao Tibet, lembrei-me do Butão. O Butão é um reinozinho vizinho ao Tibet, o último país onde a televisão foi permitida (só em meados da década de 90.) Vocês aí no Brasil não devem conhecer nenhum Butanês né? Eu conheci um, estudava aqui em Shiga, o Farsal. O Butão é assim como todo lugar, tem coisas boas e ruins. De ruim eu me lembro por exemplo do fato deles terem expulsado todos os butaneses de origem, nepalesa, criando um dos maiores campos de refugiados do mundo, o de butaneses no Nepal. Mas o que me chama a atenção mesmo, é o fato dos butaneses terem chorado, protestado e esperneado quando o rei disse que o Butão deveria ser uma democracia.
As políticas do rei do Butão, em 30 anos de reinado, aumentaram a expectativa de vida da população em quase 70%. Ele criou o sistema educacional e de saúde gratuito para toda a população. Se você quiser saber o Produto Interno Bruto do Butão, vai ser difícil, porque o rei disse que esse número pra ele não diz nada, e ele trocou pelo "Produto de Felicidade Bruta." Ele quer que o povo esteja feliz. E parece que o povo está. Bem, estava...
É que o rei está ficando velho, e disse que não pode garantir que o povo do Butão sempre terá um bom rei, e que por esse motivo já era hora do povo saber governar a si mesmo. O rei instituiu eleições e fez do Butão uma democracia. Foi a senha pra felicidade do povo terminar. A esmagadora maioria da população, não queria a democracia. Eles achavam que a política divide a nação. Jovens estavam preocupados que o próximo governo fosse acabar com o "Produto de Felicidade Bruta." Mas não teve jeito. As eleições aconteceram em Março desse ano. O novo governo, por enquanto, mantém o "Produto de Felicidade Bruta." Isso me faz pensar que nem sempre os indicadores econômicos são os mais importantes para um país. Muitas vezes pode se ter um PIB grande, com um monte de gente infeliz. Faz pensar também que enquanto alguns governantes querem ser reis, perpetuando-se no poder até morrer, alguns reis ainda temem pelos maus governantes que seu povo possa vir a ter. Faz pensar por fim, que valores que por vezes temos como absolutos, como democracia, são relativos. Não necessariamente a democracia é boa para todo mundo. No Butão por exemplo, eles gostavam mesmo era do rei...
Farsal voltou para o Butão. Quando mandar notícias, eu aviso a vocês. Enquanto isso, vou continuar a pensar aqui, com os meus Butões.

Foto: Eu, no Tibet, o vizinho do Butão que não tem rei nem democracia, tem o governo totalitário chinês, que todos apoiamos porque produz produtos baratos que gostamos de comprar nos 1,99 da vida.


Repondendo:

É Ruth, acho melhor você e o rodrigo fazerem exame de verme, uma vida inteira descalça na rua baiana é certeza de amarelão!

Kobelus: POis é, essas escolas só querem propaganda...

Samara: Lumbriguenta!! Deixa sua mãe saber!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A preguiça de Macunaíma
























Boas. Por vezes a gente que mora fora do Brasil acaba por ter notícias do país assim, digamos, por acaso. Como vocês sabem eu não tenho televisão por aqui, mas pela internet posso assistir a alguns canais. Um deles é a BBC de londres. Bem, sábado pela manhã estava eu sem ter muito o que fazer, e resolvi assistir a tal BBC. No intervalo do jornal, o anúncio de que o próximo programa seria um documentário sobre as crianças da Bahia, no Brasil.
O documentário começa falando de uma característica baiana que nós conhecemos bem: a preguiça. Mas nesse interior da Bahia onde o documentário foi rodado, a "preguiça" das crianças, e dos adultos também, tem uma explicação: verme. É, isso mesmo, uma equipe de São Paulo foi até o lugar, e fez exames com todas as crianças de uma escola, 88% das crianças entavam infestadas de vermes. Os médicos explicavam que essas crianças, que já não ingerem lá muitos micronutrientes, ainda têm de "dividir" com os vermes os poucos micronutrientes que ingerem. Não fosse o bastante, os vermes ainda impedem que as crianças se concentrem e aprendam. O fato de 88% das crianças terem verme não foi assim uma grande surpresa, haja vista que a região não tem rede de esgotos.
O documentário sai da Bahia e vai para Minas, onde o mesmo problema acontece. Lá o grande vilão é o "hook worm" nosso famoso amarelão. Médicos americanos estão tentando produzir uma vacina contra o verme, já que as condições sanitárias façam com que a infectação e reinfectação sejam constantes, logo "limpar" um paciente dos vermes não adianta muito, porque amanhã ele vai contrair novamente os vermes.
Aí a gente pára e percebe que os problemas de educação no Brasil são realmente vários, por vezes complexos, por vezes básicos. Aí a gente pensa na ironia e na imbecilidade do discurso político de um país que diz querer ser líder de alguma coisa, mas que me faz morrer de vergonha, aqui do outro lado do mundo, porque não consegue fazer nem com que suas crianças tenham uma vida com o mínimo de higiene. Ao invés de querer entrar pro "conselho de segurança da ONU" deveríamos é querer se livrar dos amarelões e companhia. Brás Cubas na dedicatória de suas memórias póstumas disse "ao verme que primeiro roeu as frias carnes de meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas" então eu dedico esse post "aos vermes, que estão roendo o futuro das crianças pobres de meu pobre país."


Fotos: Byodoin, "casa da fênix" templo feito em 1052, que estampa a moeda de 10 yen, e que fica a poucos minutos daqui de casa.

Respondendo:

Larissa: Que bom que vc. gostou. Ah, acho que o natal vai ser bom!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Só uma coisinha...





















Boas. Achei essa foto do dia em que fiz a minha matrícula na Unicamp, não podia deixar de fora. É o dia mais feliz da vida de um estudante que, como eu, trabalhou arduamente para poder entrar em uma das mais prestigiadas universidades do Brasil. Mas na verdade a foto é uma desculpa para falar de outra coisa. Muita gente me tem falado das coisas que eu "esqueci" de contar. Na verdade eu não esqueci não, eu sei que teria muito mais pra contar, mas sabe como é, post se fica muito longo fica muito chato. Mas tem uma coisa que eu realmente esqueci, e que não poderia deixar de falar, porque mostra a ironia e quão cínico é o sistema educacional no Brasil. Bem, vocês se lembram que na 3a série do 2o grau eu tive de sair do Leonardo da Vinci no último bimestre e me dirigir ao Ceteb para poder passar de ano. Bem, depois que eu passei no vestibular, fui até o Leonarodo da Vinci tirar uma onda. O meu professor de química não acreditou quando eu mostrei a carteirinha da Unicamp pra ele, mas ao invés de alegre pela minha vitória ele estava mesmo era puto da vida. Mas o melhor foi quando eu, já em casa, recebi um telefonema do Leonardo da Vinci. Do outro lado da linha uma senhora me teve a pachorra de oferecer uma "segunda chance" eu só teria de ir até a escola para fazer uma provinha de matemática e outra de química, matérias em que eu tinha ficado enganchado. Ela me ofereceu a chance como se fosse uma tremenda oportunidade para mim, dizendo que eu ia ter um certificado de conclusão do 2o grau do Leonardo da Vinci. Bem, o que eles realmente queriam era usar o meu nome naquelas propagandas ridículas e nas estatísticas furadas dos "aprovados." Talvez tenha sido esse o segundo momento mais feliz da minha vida acadêmica, quando eu ao telefone perguntei "deixa ver se eu entendi direito, você está me pedindo para que eu, um UNIVERSITÁRIO, vá até aí para fazer uma prova de 2o grau?" a moça, meio constrangida do outro lado respondeu "é..." eu disse "querida, mande um recado pra mim, mandem esses imbecis a M....@ ^%$#%&"

PS: Pai, aí está a foto do jipe.


Kobelus: espero que seu caso não tenha sido tão ruim quanto o meu...

Ruth: Sim, eu imagino que a menina do ônibus seja quem você está pensando. E não adianta NADA você me dizer o que falavam naquela época, você tinha de ter me ajudado era NAQUELA ËPOCA!

Samara: beijos, saudades, tempo livre só tem vantagens...

Rafael: obrigado, que bom que você gostou!

Sarah: Longe de ser um latin lover, "eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e vindo do interior!"

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Memórias de um estudante – terceira parte
























































(FOTOS: Primeira foto, povo da faculdade - ,Andrea, eu, Graziela, Clara, Tião e Vivis. foto 2; Jiban, meu cachorrinho, fiel escudeiro, protagonista de inúmeras histórias que não pude colocar aqui, foto 3 Sílvio, eu, frog boy e Feu, aniverário do Feu, fotos 4 e 5 presente de aniversário do Léo - volta por Campinas com cueca na cabeça, lavagem grátis do flanelinha e passeio do caminhão de lixo foto 6, povo da fauldade de novo, foto 7, Gisela e Raíssa no casamento da Gisela.)


O meu terceiro ano foi o período mais triste da minha vida escolar. A minha “gang”foi diluída entre as outras 15 turmas de 3o ano e eu acabei sobrando sozinho com minha querida amiga Márcia em uma de nerds. O resultado não poderia ser outro, eu ia bombar o terceiro ano. Meus pais já temerosos de ter dado a luz a um retardado que estava prestes a bombar pela segunda vez, me mandaram terminar meus dias de estudante, no CETEB. É claro que não fui sozinho, fui com Tampinha, Pitt, Xambinho, Ruth, enfim, fomos todos.
Por essas e outras, eu não podia fazer o vestibular da UNB. Acho que eu perdi a data de inscrição, ou coisa do tipo. Tentando evitar que minha mãe morresse de desilusão, me inscrevi no único vestibular público para o qual havia tempo hábil – Unicamp. Mesmo com o meu background negativo de estudante, eu havia resolvido que não ia pagar pra fazer história. Mas a Unicamp era um pouco demais. Vestibular em duas fases, subjetivo, era considerado o mais difícil do país. Não só isso, na primeira fase todos os alunos, independentemente do curso, teriam de conseguir fazer pelo menos a metade dos pontos. Eu que nunca tinha conseguido fazer metade dos pontos em nenhuma prova do sapão em todo o segundo grau, jamais conseguiria em uma prova da Unicamp. Pelo menos era o que todos pensavam.
Eu fiz a prova com a calma dos franco-atiradores. Quando o resultado da primeira fase saiu, eu fui celebrado como um herói, havia sido aprovado. O discurso de todos no entanto era mais ou menos assim, puxa, você passou na primeira fase, olha, parabéns, já foi bastante, você já deve se considerar um vencedor, aconteça o que acontecer agora…ou seja, ninguém levava fé que a segunda fase pudesse ser vencida. Eu achei que já que tinha passado na primeira, ia passar logo na segunda, porque já tava meio de saco cheio das pessoas pensarem que eu tinha alguma espécie de retardamento mental.
Quando o resultado da segunda fase saiu, eu estava em viagem, com um grupo de amigos. Sabe como é adolescente, eu nem sabia que dia o resultado ia sair, nem o que deveria fazer, mas sabe como é mãe, acho que ela era a única que achava que talvez fosse possível, bem, ela tava de olho, viu meu nome no jornal, conseguiu achar a pousada que eu estava hospedado em Cabo Frio e me deu a notícia. Era um domingo, e a notícia era mais ou menos assim, “você passou no vestibular, a matrícula é na segunda.” Foi a melhor wake up call que já recebi na minha vida, até agora.
Sabe, eu acho que deveria ser proíbido o sujeito fazer faculdade no mesmo estado em que mora. É tão bom morar em república. Você aprende sobre a vida até mais do que se aprende sobre aquilo que você estuda na faculdade. Lembro-me por exemplo de falar com minha mãe ao telefone certa vez, depois de uns sete ou oito meses que já morava em campinas, e minha mãe perguntando, “meu filho, tá trocando a roupa de cama?” foi aí que eu aprendi que roupa de cama se troca. Não é só isso, você aprende que louça não é auto-limpante, que copo sujo dá mais cria do que coelho, e outras coisinhas mais.
No aspecto sentimental, eu como sempre, me dei mal. Se existe uma época da vida em que você não deve ter uma namorada, é durante a faculdade. Pois eu, que nunca conseguia, fui conseguir uma justamente nos primeiros meses de vida em Campinas. Bom, é claro que a coisa não foi tão fácil assim. É claro que minha marca característica, a falta de jeito, estava lá. Existia essa menina na igreja que eu freqüentava (dane-se a reforma ortográfica), que nunca tinha namorado, tinha a fama de ser difícil, já tinha dado o toco em todo mundo. Ora, eu que comecei a levar tocos já aos sete anos de idade, não me preocupava muito com isso. Segundo, um bom levador de toco sempre investe nas mais difíceis, porque assim o toco é menos dolorido, o que não pode é levar toco de brucutu. Assim sendo, convidei-a para um cineminha, coisa e tal, e eu sem saber direito o que fazer. Então na saída, já dentro do carro eu pensei. “tenho de pensar em algo inteligente pra falar logo, senão já era” e aí eu saí com a clássica “então, quer namorar comigo?” hehehe, eu acho que eu fui a última pessoa do século 21 a falar isso, mas enfim. Ela disse “não, quer dizer, talvez, não sei” e aí começou a falar um monte de coisas que eu não consegui entender. Levei-a pra casa, e antes dela sair do carro, perguntei só pra confirmar “mas então, você disse mesmo foi sim ou não?” hehehhe, tinha sido sim. É que mulher é coisa complicada…
Na faculdade a nossa turma era grande, e do nosso grupinho, só uma pessoa era de Campinas, a Gisela. Gisela Pizzatto é uma pessoa a quem eu devo muito, mas muito mesmo. Ela copiava a matéria do quadro pra mim, (sim, eu tinha preguiça de copiar) ela assinava as listas de presenças das aulas que eu passava na cantina e o mais importante, eu filei inúmeras bóias na casa de Giselinha, contando com a hospitalidade de dona Teca e companhia, tudo o que eu tinha de fazer era tocar um pouco de hey jude e let it be em um piano que eles tinham lá e ninguém tocava. Além de Gisela, Tião, Joel, Raíssa, Andrea, Cintía, vivis, e tantos outros faziam parte do nosso círculo de amizades mais próximo. Eu, Gizeggs, Tião, Joel e Andrea e Raíssa sempre trabalhávamos em grupo, quando havia trabalhos de grupo a se fazer. O mais memorável foi um seminário sobre o livro Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre. Não lemos o livro, e no dia do seminário resolvemos nos juntar umas horas antes pra tentar inventar alguma coisa. A reunião foi na minha casa, e alguém achou uma fita de um filme em que o Arnold Schwaznegger ficava grávido, acho que o título era “júnior” e resolvemos assitir ao invés de preparar o seminário.
Na república, morávamos eu, Frog, Júnior, Denílson, Léo, gasparzinho, Feu, Silvinho e Frog Boy. Todos morando longe de casa, sentíamos muitas saudades de nossas famílias. Por isso mesmo de quando em quando fazíamos coisas como a nossa versão do amigo secreto, o ‘inimigo secreto.” No inimigo secreto, você tinha de sacanear, secretamente, a pessoa que você tirou por uma semana. O frog tinha uma televisão no quarto, e seu inimigo secreto desmontou a televisão e colocou um despertador lá dentro para despertar as 4 da madrugada. O frog, que era super fresco e acordava com qualquer coisa, quase morreu. Eu tinha um jipe, e um dia de manhã eu tava indo pra Unicamp e percebi que todo mundo olhava pra mim. Quando cheguei na Unicamp vi que na grade da frente do Jipe tinha uma cueca gigante amarrada.
Quando eu entrei na faculdade queria ser arqueólogo. Fui a uma expedição arqueológica, e não gostei muito. A última coisa que eu queria era ser professor, porque como todo mundo sabe ser professor significa uma vida de probreza. Uma vez, em uma aula de história dos Estados Unidos, fiquei responsável por apresentar um seminário sobre um livro de Martin Luther King, chamado “why can’t we wait”. Eu gostei do livro, e apresentei um baita de um seminário, que me rendeu um 10,00. Quando eu estava na cantina comemorando meu sucesso acadêmico com meus colegas, a professora passou por mim e disse “seu seminário foi muito bom, você comunica muito bem, você tem de ser professor.” Esse foi o ponto de virada pra mim, quando eu realmente comecei a pensar no assunto. Hoje, cá estou, professor.
Sabe, haveria tantas coisas mais pra contar, mas sei que o post já tá longo demais, e que talvez ninguém tenha conseguido chegar até aqui sem pular grandes parágrafos. Então para terminar essa trilogia, eu só queria dizer que falei assim por cima da minha vida de estudante, pra vocês entenderem porque eu quis ser professor. Na escola eu passei os dias mais felizes da minha vida, na escola eu me apaixonei, levei tocos, fui CDF, fui vagabundo e sobretudo, fiz amigos, muitos e bons, e verdadeiros amigos. Acho que ser professor foi um jeito de voltar a viver a vida de escola, mesmo velho. E é gratificante, porque eu vejo meus alunos passando por tudo que passei, vejo alunos apaixonados, vejos outros chorando pelos cantos chorando os amores contrariados, vejos alunos revoltados com o sistema, vejo alunos estudando como loucos para passar em uma boa universidade, e aí eu me vejo um pouquinho, em cada um deles. E vendo esse blog, me dou conta de que isso nada mais é do que as minhas memórias de estudante de agora, uma quarta parte, que estou escrevendo aos poucos.

Respondendo:

Ruth, Beijis priminha, fiel companheira estudantil love u 2 chuchu!

Kobelus: pior que eu lembro da gente tocando no batista!

Diego: Fotos do jipe eu tenho, do peru de pet shop não... Um abraço!

Sarah: Pois é, bons tempos em que nas provas tudo o qeu precisávamos era de uma guria bonita!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Memórias de um estudante – Segunda parte































































(LEGENDAS DAS FOTOS: FOTO 1, EU, EDINHO, O BEDEL INTELECTUAL QUE HOJE É PROFESSOR DE HISTÓRIA DA FUNDAÇãO, TAMPINHA E SEU ABADÁ, PITT DE BONÉ PORQUE JÁ ESTAVA FICANDO CARECA, FELIPE "GONZÁLEZ" VESTIDO DE GRUNGE E O CABELO DO XAMBINHO, FOTOS 2 E 3 - MATANDO AULA NO PARQUE DA CIDADE, QUE NA ÉPOCA AINDA SE CHAMAVA ROGÉRIO PITON FARIAS - DETALHE, SE VOCÊ AMPLIAR A FOTO EM QUE ESTAMOS NO BALANÇO VERÁ QUE O PITT JÁ TINHA TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS - FOTO 4 XORXE MALCHER COM SUA CAMISA PELA SOLIDARIEDADE, FOTO 5, PIT BULL - COM MACACãO E UMA DE SUAS CAMISAS SEMPRE COM MENSAGENS EDUCATIVAS, RIBEIRO, PROFESSOR DE MATEMÁTICA QUE ME DEU 0,5 POR TOCAR ASA BRANCA, TAMPINHA, COMO SEMPRE VESTIDO COMO SE TIVESSE SAÍDO DE UMA MICARÊ, FELIPE GONZÁLEZ, VESTIDO DE KURT KOBAIN E XAMBINHO, DE QUEM SÓ SE PODE VER A CARA PORQUE ERA MUITO TÍMIDO,FOTO 6, RUTH, EU, O BEDEL, FELIPE E MAIS UMA VEZ, SÓ O ROSTO ESCONDIDO DO XAMBINHO, FOTO 7, EU, TAMPINHA E AGORA SIM, XAMBINHO POR INTEIRO)



Bem, no último post eu falava de minha experiência terrorista com o GRULE. O caso é que quando eu estava no primeiro ano do segundo grau, umas bombas começaram a estourar na escola. Eu e meus comparsas não tínhamos coragem para estourar bombas, mas tivemos a idéia de assumir os “atentados” e tentar lucrar alguma coisa com eles. Eu, Paulista, Klebinho, Nirvana, Xambinho e Pit-bull fomos, em uma ensolarada tarde de sábado, até a casa de Paulista, na QI 09 do Lago norte, onde escrevemos a nossa carta demanda. Passamos a tarde toda recortando jornais e revistas para escrever uma carta como aquelas que a gente vê nos filmes, com as letrinhas recortadas de jornais. Dizíamos na carta que éramos o GRULE “grupo de libertação estudantil” e que tínhamos algumas demandas. Não me lembro bem agora quais eram as demandas, mais eram coisas simples, tipo um intervalo maior e a contratação de professoras mais gostosas, enfim, coisas relevantes para o processo educativo. O mais complicado foi colocar a carta na sala da direção, uma verdadeira operação de guerra. O fato é que uma semana depois o “diretor disciplinar” entrou na sala com um cara que ele apresentou como delegado da polícia civil, que estava investigando o episódio das bombas. Não sei se o cara era policial mesmo ou se era um zé ruela qualquer, o fato é que eu e meus bravos comparsas nos cagamos de medo e foi o fim do GRULE.
No primeiro ano passei também por uma experiência que todo adolescente passa – a formação de uma banda de rock. A nossa banda era muito promissora, tinha uma música só, mas era um hit, desses que a gente ouve e não sai mais da cabeça da gente. A letra também era profunda, dessas que chamam a uma reflexão mais cuidadosa sobre a vida e o sentido das coisas. O nome da música era “obrigado, de nada.” E a letra era “obrigado, de nada, obrigado, de nada, obrigado, de nada” mas é claro que essa frase ia se repetindo com uma progressão melódica e modulações que são impossíveis de serem reproduzidas no simples espaço de um blog. Lembro-me quando fizemos nosso primeiro e único ensaio, eu, vovô e o Teddy. Foi na casa do vôvô. Tocamos nossa melodia até a exaustão. Foi muito bonito. O espanto ficou para a hora da saída, quando eu dei de cara na sala com uma reunião de politicos, entre eles Ulisses Guimarães. É que o pai do vôvô era deputado na época, o hoje ministro Nélson Jobim, e naquela época ele era o cara que estava escrevendo o relatório (ou um deles) sobre o impeachment do Collor. Naquela reunião eles estavam consturando os detalhes finais para o impeachment, com uma trilha Sonora privilegiada, “obrigado de nada.” Tenho certeza de que isso foi determinante para que eles resolvessem mandar o Collor passear, devem ter pensado, “olha o que o Collor está fazendo com nossa juvemtude.”. Enfim, apesar de uma história breve, é bom saber que nossa banda teve uma participação tão fundamental na história da República. A banda teve de acabar, para azar do rock nacional, quando o vocalista Pit foi fazer intercâmbio nos U.S.A. Fosse hoje, com internet e tudo, isso significaria nossa carreira internacional, mas naquela época era o fim mesmo. A minha vida no primeiro ano do segundo grau foi indo sem atropelos. O hevy metal mesmo foi o segundo ano.
No segundo ano eu já estava mais confiante do meu espaço. Já conhecia a escola, já era amigo dos professores, sabia como tratar as coordenadoras, aquela coisa toda. Foi no segundo ano que eu descobri que tinha talento para ser roteirista. Meu amigo Felipe desenhava e eu escrevia as historinhas, quase sempre tendo professores e colegas da sala como protagonistas. As histórias eram um sucesso de público, e começamos a colocá-las ilegalmente nos murais da escola, que eram protegidos por um vidro, no fim do intervalo. Assim, a galera parava para ler as histórias, e como ninguém voltava do intervalo, as aulas atrasavam em quase dez minutos.
Nós não éramos os únicos a fazer historinhas, nossos amigos de outras salas também faziam. Isso era o mais legal da escola, apesar de existirem uns 15 segundos anos, nós nos conhecíamos e éramos amigos. O Diego mesmo que já andou comentando neste blog era de outra sala. Também eram O Breno e o Bruno, dupla de gêmeos que desenhavam muito bem. Tinha também Xorxinho Malcher, uma lenda viva que entre outras coisas causou um blackout na escola ao enfiar uma caneta bic em uma tomada. Jorge, Breno e Bruno também faziam suas historinhas, e colocavam ilegalmente no mural. Era bom, mas infelizmente nos descobriraram e ameaçaram - éramos sucesso de público, mas não de crítica - e mais uma vez a escola acabou com uma carreira promissora. Nessa época também eu comecei a tocar gaita, e resolvi lucrar com isso. Sabia que o professor de matemática era um capiau de mão cheia, então enquanto ele passava as notas da prova para o diário, eu toquei “asa branca” em sua homenagem. Lucrei meio ponto a mais na prova, o que para mim era bastante naquela época. Mas sempre perseguido e injustiçado, fui forçado pela direção a mudar de lugar, sair do fundão que eu tanto amava, e sentar na primeira fileira. Lá fui eu, para a primeira fileira, perto da porta, onde ficava de lado para a sala e para o professor. Ali eu me comunicava com o fundão através de mensagens no caderno, quando o professor se virava. Ali um dia eu caí no sono durante uma aula de história, e meus amigos, ao invés de me acordarem, colocaram um placa em minha carteira “uma esmola por favor,” um chapéu e várias moedas.
Naquela época nós éramos um pouco a frente do nosso tempo, e já éramos todos adeptos da geração saúde. Combinamos de fazer uma vitamina – durante a aula de inglês. As meninas trouxeram as frutas, os caras leite, alguém trouxe o liquidificador. Fomos cortando as frutas durante a aula, o professor reclamava de um “cheiro de feira” mas não sabia bem o que era. De repente, no meio da declinação do verbo to be, liga-se o liqüidificador, o barulho é inevitável, o professor vai até o fundo da sala para entender o que afinal está acontecendo, e quando é presenteado com o primeiro copo de vitamina, não tem coragem de nos repreender…
No segundo grau eu novamente me apaixonei pela menina mais bonita da sala. Só que dessa vez, já cansado de tantos tocos anteriores, resolvi me calar. Foi trágico. Aliás, como vocês já perceberam, todas as minhas paixões de tempo de escola foram não correspondidas. EU me lembro uma viagem que a gente fez para 3 Marias, e no ônibus eu voltei bem do ladinho da minha paixão secreta. Eu não tinha a minima idéia do que fazer ou dizer, e comecei a sentir palpitações, achei que fosse ter um ataque cardíaco ali no ônibus mesmo. Levantei-me pra pear um copo de água, e quando voltei já tinha obviamente um mané sentado do lado dela batendo o maior papo. Dez minutos depois eles já não estavam mais batendo papo nenhum, tavam se pegando mesmo. Eu quase quis me jogar do ônibus. A desolação foi tão grande que foi nessa época que comecei a escrever um livro de poesias. Já que eu não conseguia ficar com nenhuma menina mesmo, ia passar o tempo escrevendo sobre elas. Acho que eu consegui escrever o pior livro de poesias de todos os tempos, cujo o título era “REPOUSO” ou “Restos Poéticos de Um Sonhador.” Hehehehehehe. Como todo jovem apaixonado escrevi letras de música e poesias em todos os cantos, inclusive nas paredes de meu quarto. Mas eu não era o único apaixonado, é claro. Na escola todo mundo tá sempre apaixonado por alguém. O Xambinho amava a popô, O Pit tinha uma paixão alucinante pela Carol, A Lina se apaixonou pelo Ancelmo, professor de química, o tampinha gostou da Marcinha e a Marcinha tinha um namorado que fazia faculdade, o que para um aluno do segundo ano equivalia mais ou menos a namorar o Brad Pitt. Mas o fato de termos garotas bonitas na sala era muito bom para nós. Naquela época não havia essa frescurada de uniformes, e antes da prova de matemática as gurias vinham com roupas, digamos assim, menos caretas, e aí, com o livro em mãos, iam até o professor, que apelidamos de “sapão”, e perguntavam que exercícios deveriam estudar para irem bem na prova. Sapão entregava todas as questões da prova, as meninas passavam pra gente, e o povo ia bem.
No segundo ano eu não fiquei de recuperação em nenhuma matéria, mas tenho de confessar, não por méritos próprios. Na verdade no segundo ano foi quando eu menos estudei, porque resolvi que queria ser arqueólogo. Então teria de fazer história. A melhor coisa do mundo para um estudante é decidir cedo o que quer. Eu, quando decidi que queria história, parei de estudar. O vestibular não ia ser desumano como o do pessoal da medicina. Nos primeiro e quarto bimestres as provas eram todas “de marcar x” e bem, eu caí na sala de provas de uma amiga minha de sala, a Carol, que também era bastante CDF, e bem, eu calhei de sentar bem atrás da Carol, e, enfim, o resultado foi que eu tirava dez e 9,5 em todas as matérias nos bimestres pares, e ia mal nos ímpares, de provas subjetivas, mas quando se somava e dividia tudo, lá estava eu, aprovado. Sabe, o que se passou naquele ano dava pra encher um livro. Eu nem falei da gincana que quase ganhamos, entre outras coisas, desfilando com um Peru vivo, ou de quando para minha surpresa fui sorteado para uma viagem em um sorteio em que eu não estava participando, mas não vou mais tomar o tempo de vocês com essas memórias longas. Amanhã eu termino com os tempos de faculdade. Ah, os tempos de faculdade…
Post de hoje dedicado a todos esses de quem falei aqui, e a tantos outros amigos que por falta de espaço não pude mencionar. Porque o bom mesmo da escola são os amigos que fazemos.


Respondendo:

Bom, primeiro eu preciso corrigir uma injustiça, fiquei sabendo hoje que minha outra prima, a Chris, também contribuiu para o pacote doce que chegou aqui, então OBRIGADO CHRIS!

Sarah: POis é, o caso do liquidificador tá aí.

Kobelus: A minha célebre frase também está aí!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Memórias de um estudante – Primeira parte













(FOTO: Eu, quando do início de minha carreira estudantil)

Sabe, neste blog eu tenho escrito muito sobre minha vida como professor. As pessoas sempre perguntam porque eu quis ser professor, e acho que para responder isso você precisa conhecer minha um pouco sobre minha vida de estudante. Então hoje vai, senta que lá vem história…
A minha primeira recordação estudantil é de um furto que realizei no pré-primário. Não sei porque cargas d’agua eu invoquei com uma roda de Madeira azul, e resolvi levá-la pra casa. Consegui esconder bem da professora, mas não muito bem de minha mãe, que sacou logo que cheguei em casa que eu estava escondendo algo. No outro dia eu tive de me deparar com a vergonha de devolver o objeto furtado…
Na primeira série eu percebi que não era muito bom com as mulheres… Apaixonei-me pela menina mais bonita da sala. Bem, eu sou o mais novo da minha família, e todos os meus irmãos são pelo menos dez anos mais velhos que eu. Eles que tinham entre seus dezessete e vinte e poucos anos, resolveram aproveitar a chance para me zoar. Minhas irmãs me compraram um lindo buquê de flores para que eu desse para minha amada. Dei o buquê e levei o meu primeiro toco, o que deixou meus irmãos bastante felizes com a oprtunidade de me sacanear.
Resolvi que o negócio era investir em garotas mais maduras, e na segunda série me apaixonei pela tia Maristela. Ah, a tia Maristela era Linda. Dessa vez eu não fui o único a se apaixonar, meus três irmãos mais velhos foram junto. Pela primeira vez eles brigavam para ver quem ia me deixar e buscar na escola… Infelizmente com a tia Maristela também não deu certo, sabe como é, a diferença de idades era grande, e aí está a Susana Vieira que não me deixa mentir, é difícil esse relacionamento de mulheres mais velhas com homens mais novos.
Na terceira série eu me mudei com os meus pais para o interior do Piauí. Ali eu comecei a minha carreira de nerd, que não foi muito longa. fui o primeiro aluno da turma só até a quinta série. Ali também eu “saí na porrada” pela primeira e única vez na minha vida. Foi na quarta série.
Tinha um guri na escola, Setembrino era o nome dele, que já havia reprovado a quarta série umas 3 vezes, logo ele era muito maior do que todos nós. Ele se aproveitava disso pra intimidar a galera. Um dia eu cheguei na sala e ele estava implicando com um amigo meu. Aí eu fui tomar as dores. Veja, se você estiver na quarta série, e existir um colegiuinha de turma que deveria estar na sétima mas ainda está na quarta, e se esse coleguinha de turma estiver implicando com um outro coleguinha seu, não tome as dores de seu coleguinha. Cada um no seu quadrado. Eu não me lembro bem da briga, mas sei que o Setembrino não teve muito tempo pra me bater direito, o que foi um alívio. Mas ele jurou me pegar lá fora… Se você é estudante de uma pequena cidade do interior do Piauí, hum, as chances dele realmente te encontrar lá fora são grandes… Passei uma semana trancado dentro de casa, com medo de encontrar Setembrino. Graças a Deus depois de uma semana a raiva de Setembrino se tornou menor, e nós podemos voltar a ser todos amigos novamente.
Na quinta série eu voltei a me apaixonar por uma mulher mais velha, no caso pela coordenadora, tia Hélvia. Mas pelos motivos já expostos acima, resolvi não investir na relação.
Depois de volta a Brasília, já na sexta série, coneheci o que era a marginalidade acadêmica. Mas não foi culpa minha. A culpa foi da professora de matemática. Uma bela noite, enquanto meus pais assistiam ao Jornal Nacional, eu quebrava a cabeça no tapete da sala com os problemas de matemática. Eu gostava de resolvê-los, e os fazia em uma folha separada, passando o resultado para o caderno. No outro dia, quando a professora foi conferir quem tinha feito o dever, disse que eu estava mentindo quando eu falei que o havia feito, disse que eu havia copiado as respostas. Aquilo foi até hoje a minha experiência pedagógica mais traumática. Eu não estava mentindo, e não entendia porque ela não acreditava em mim. Chorei muito. A partir daquele dia comecei a realmente copiar as respotas dos meus colegas, mas de um jeito que a professora não pudesse perceber. Nunca mais consegui ser bom em matemática. O cinismo da minha professora criou um monstro.
No colégio Dom Bosco me juntei a uma gang de poucos estudos, e vivi parte de meus dias estudantis mais felizes. Meu irmão dava aulas na mesma escola, então eu tinha bolsa integral. Isso não me impediu de na sexta série participar de uma paralisação por mensalidades mais baixas. Infelizente os padres me viram lá de cima, e chamaram a mim e a meu irmão na sala da direção. O padre disse “Maurício, mas o que é isso, seu irmão tem bolsa integral e tá participando da maniferstação por mensalidades mais baixas! Assim a gente vai ter de cortar a bolsa dele!” Meu irmão retrucou, enquanto eu cabisbaixo apenas ouvia “desculpa padre, ele é um animal, retardado, tem problema, nem sabe o que tá fazendo, ele não vai mas fazer isso mesmo, né animal?” era o poder econômico tolhindo a liberdade de expressão. Eu percebi que se quisesse me expressar livremente teria de ser rico, foi então que na sétima série eu bolei um plano para enriquecer, organizando bolões de aposta em jogos do campeonato brasileiro. Infelizmente minhas atividades foram suspensas quando minha prima, que também estudava na mesma escola, denunciou minhas atividades marginais para minha mãe. Mas eu era feliz. A felicidade só acabou quando na oitava série, depois de várias tentativas, eu finalmente consegui reprovar de ano. A vergonha só não foi maior porque minha prima, fiel escudeira, reprovou também. A gente trabalhava junto, escondendo boletins, falsificando assinaturas em provas, nada mais justo que reprovássemos juntos também. A minha vergonha só foi aconteceu mesmo quando minha mãe foi renovar minha matrícula e a escola informou que eu estava sendo convidado a me retirar da escola…
Mas nem tudo estava perdido, fui para o Maurício Salles de Mello. Lá estudei exatos três dias, e meu pai, receoso de algumas amizades que eu já tinha, resolveu me mudar para um colégio de freiras. Maria Auxiliadora. Lembro-me como se fosse hoje, 32 mulheres e 8 homens. Era o paraíso. Mas é claro que eu ainda continuava sem nenhum talento para conquistar o sexo oposto, e lá tive de me contentar com mais alguns tocos bem dados. Mas só o fato de estar rodeado por tantas mulheres já me fazia mais feliz. Na minha especialização na oitava série eu era um gênio, porque já tinha visto tudo aquilo, então tive um ano acadêmico sem recuperações pela primeira vez desde a quinta série.
No primeiro ano do segundo grau eu fui para o Leonardo da Vinci. Minha primeira reação foi de medo, diante de materias desconhecidas como Física e química. Para as primeiras provas fiz algo, como diria o presidente Lula, “nunca antes feito na história da minha vida” e começava a estudar na quinta para as provas de sábado. O resultado foi que eu tirei 10,00 na primeira prova de física e 9,8 na primeira de biologia. Aí eu achei que o bixo não era tão feio assim e resolvi relaxar… Mas foi ali, no Leonardo da Vinci, que vivi os dias mais loucos da minha vida como estudante, incluindo aí a organização de um grupo terrorista estudantil, o “grupo de libertação estudantil” GRULE. Mas esse post já tá grande demais, então outro dia eu termino essas memórias de um estudante com a parte do segundo grau e da universidade.

Sobre parlamentares e guitarras





















Há coisas que só existem no Japão. Hoje eu tinha de apresentar um seminário sobre a minha pesquisa. Bem, depois de anos dando aula, falar em públicio não é bem a coisa que mais me tira o sono, mas falar em público em japonês requer sim um preparo especial. Eu ia falar sobre a educação no Brasil, e também um pouco sobre o Brasil em si, e me peguei precisando saber como falar parlamento em japonês. Em português e inglês, por razões que desconheço, chamamos o parlamento japonês de Dieta e Diet, mas por aqui eles não têm a mínima idéia do que é isso, então fui ao dicionário. Bem, no dicionário descobri que parlamento em japonês é gikai, mas isso não foi o que mas me chamou atenção. O que mais me chamou atenção no dicionário foi uma palavra logo abaixo, que achei por acaso, "bunkiozoku", cuja tradução é "membros do parlamento com interesse especial em educação."
Vejam, essa é mais uma das coisas que só existem no Japão. Aliás eu ando percebendo que que o lance da educação aqui é mais em relação ao ambiente do que escolas ou técnicas em especial. Tudo aqui tem de ter alguma coisa com educação, estudo, estudante, essas coisas. Em kyoto há várias ruas que têm nomes assim, tipo rua do estudante, rua do estudante tal, rua da sabedoria disso, essas coisas. Eu fico imaginando o dia em que a língua portuguesa vai ter uma palavra especial para "membros do parlamento com especial interesse em educação." Gostaria de viver para ver isso, mas sinceramente não acredito que isso vá acontecer. Por enquanto temos de nos contentar com o fato de que temos duas palavras para "membros do parlamento com especial interesse em dinheiro." As palavras são deputado e senador.
Outro dia tava andando na rua e vi essa guitarra rosa da kitty alguma coisa. Isso é outra coisa que só tem por aqui. É que eles têm o segundo mercado do mundo, e um gosto um pouco diferente. Então as principais marcas desenvolvem produtos exclusivamente para o público japonês. A caterpillar faz umas botas estranhas, a gap têm umas roupas bemmmmm diferentes, e até guitarras "kawai"que quer dizer "gracinhas" são produzidas... No caso aí a guitarra não é uma qualquer, é uma fender. Sim, para agradar aos japoneses a fender faz uma guitarra rosa, com o desenho da Kitty e tudo mais. É o poder da grana, que só tem quem também tem o poder da educação.

PS: Enquanto escrevia esse post recebi pelo correio uma caixa do Brasil contendo: 5oo gramas de café "sabor da fazenda" 500 gramas de doce de leite "real" e um pacote de paçoquinha mini. O irônico da coisa é que quando vi o fundo da caixa da paçoquinha me deparei com a descrição do produto em japonês! É aqule negócio, eles vendem carros pra gente e a gente paçoquinha pra eles! Mas essa caixa bem que chegou em boa hora... Remetentes? Sarah , Ruth e Samara R! Besos e arigatô!

PS2 Ruth, Samara e Sarah. No post acima havia escrito o nome e o segundo nome de todas vocês, mas resolvi que era muita ingratidão fazer isso com quem me presenteou com um pacote tão doce...


Respondendo:

Kobelus: é verdade, você tá livre do grupo dos pidões.

Rafael: É, você também está livre....

Larissa: Bom, você foi a primeira pedinte, mas é verdade que também é uma das comentaristas mais constantes!