quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A arte de vender o peixe (ou o morcego)







































Boas. As fotos aí em cima são um bom exemplo de uma arte que é cada dia mais necessária hoje em dia: a arte de vender o peixe. Vejam vocês que um belo dia, andando por um desses tantos cantos do Japão, deparei-me com um super anúncio. O anúncio era sobre a caverna em questão, uma das "melhores cavernas do Japão" onde o visitante poderia encontrar "uma imensa variedade de morcegos" era o "lar dos morcegos" isso e aquilo. Eu não me impressionei muito, mas estava viajando com gringos e o problema de se viajar com gringos é que para eles todas essas bestagens são coisas fenomenais, e aí o pessoal que tava comigo quis porque quis entrar.
Eu não me animei porque na fazenda do meu avô, a famosa "barriguda", quando era eu ainda menino-buchudo, dormia-se na rede com os morcegos fazendo vôo rasante nas nossas cabeças. Quando perguntávamos para ele o que era aquilo, na esperança que ele dissesse "é nada não, só um passarinho", ele retrucava "é nada não, é só um morceguinho..." a conversa prosseguia, "mas vô, morcego é perigoso..." e ele "esses daqui num fazem nadinha, só comem frutas" (para o meu avô nenhum animal na fazenda era capaz de fazer alguma coisa de mal, assim como nenhuma fruta, por mais preta que estivesse, estava estragada.) Veja, quando se é criança, o único morcego amigo é o batman, o resto quer pular na sua jugular e chupar o seu sangue, de maneira que batia um medinho dos morcegos. Mas depois de um certo tempo acostuma-se, e agora eu realmente não vejo o porquê de se pagar para ver morcegos, mas sabe como é gringo, paga para ver até formiga, de maneira que lá fui eu visitar a famosa caverna dos morcegos. Aí é que entra o empreendimento japonês.
A dita caverna é uma caverna normal. Não se vê nenhum morcego, afinal seria perigoso para os padrões japoneses de segurança e higiene. (ah se eles conhecessem a barriguda...) Pode-se ir até um certo lugar, onde há um portão com uma tela bem fininha e os japas ficam contentes da silva em saber que, dali para diante, há morcegos. É claro que para entrar na caverna o visitante ganha um capacete com a figura de um morceguinho bonitinho, para entrar se passa por uma catraca eletrônica igual a do metrô (isso mesmo, na entrada da CAVERNA), mas o que me impressionou mesmo foi ver, dentro da caverna, esse anúncio luminoso com o mapa da caverninha e todas as informações. Ou seja, com infra-estrutura, os caras fazem dinheiro explorando o nada!
Aí é que eu digo, a arte de vender peixe (ou o morcego). No Brasil há zilhões de lugares maravilhosos, mas o povo não sabe vender o peixe. Só para comparar de leve, coloquei por último uma foto de uma "placa" da chapada dos veadeiros em Alto Paraíso. Um lugar cem milhões de vezes mais interesante do que a caverna dos morcegos, mas sente o nível da infra-estrutura, com a placa anunciando : "çaltu proibidu na cachoeira por amor atenda ao giha" Nessas horas é que a gente pensa, ó Deus meu, porque nos desamparastes?????


RESPONDENDO:

Kobelus: é verdade, o mapa do Japão, eles falaram isso. Mas eu não vi o filme não, e se tivesse visto mentiria dizendo que não vi, pô bixo, Karatê Kid 3???

O jardim de Pedras


Há coisas que, por mais que tente, não consigo entender. Uma delas está aí ao lado: o jardim japonês. Esse jardim japonês estilo ZEN fez fama no mundo todo. Se você sair de sua casa agora vai encontrar uma minuatura desse jardim no extra mais próximo. Este aí do lado é o pai de todos, o mais famoso, o mais fotografado o mais ban ban ban. Fica em um templo budista muuuito famoso, aqui do lado em Kyoto.
Pessoas vêm de todo o Japão para conhecer esse jardim Zen. Há vários calendários com fotos deste jardim em todos os ângulos. Amigos, quando eu fui a este templo e em momento de meditação, sentei-me e contemplei este jardim por alguns minutos eu vi: isso é só um monte de pedras. Sinceramente, não consigo entender o que há de tão especial nessas pedrinhas. Eu li, pesquisei, vi que as pedras estão colocadas de maneira tal que, de qualquer ponto, é impossível vê-las todas ao mesmo tempo, fazendo uma analogia ao conhecimento que nunca é completo mas, mesmo assim, não consegui ver nada além de um monte de pedrinhas com algumas pedronas. Há quem diga que acalma, sei não, a única coisa que eu senti contemplando esse jardim foi uma vontade danada de correr e bagunçar essas pedrinhas...


Chris: Você não está fazendo o chá verde corretamente. Pelo seu relato percebi que tá muito forte. É só um pouco de chá, e você deve colocar água quente mais de uma vez. A cor tem de ser um verde clarinho. Nessas condições o chá é delicioso, além de saudável!

Kobelus: Respeito sim...... E a segundona vem aí, DE NOVO hehehehehe!

Tatá: É , pode ser... tô esperando hein!

Sarah: Nem tanto, nem tanto...

Lu: Ah, uma boa feijoada!!!!!!!!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Deste Chá Não Beberei


Tudo na vida é uma questão de costume. Ou, se preferirem um ponto de vista mais biológico, uma questão de adaptação. Vejam os senhores o seguinte caso.
Quando cheguei aqui no Japão, há pouco mais de um ano atrás, levei dois choques no campo gastronômico. Choquei-me com o arroz e com o chá.
Quando era eu ainda um jovem estudante de história na Unicamp, nós todos dávamos graças a Deus porque no Bandejão de lá nos serviam suco. É que no Bandejão da USP a bebida era leite. Parecia-nos infinitamente melhor almoçar tomando suco do que almoçar tomando leite. É bem verdade que nunca sabíamos ao certo qual era o sabor do referido suco, por isso nos referíamos a ele pela cor, assim o diálogo era "hoje tem suco de quê?" "Ah, hoje é suco de vermelho" ou "Hoje é suco de amarelo." Era ruim mas não era leite. Aqui no Japão meu espanto foi ter de tomar chá verde, quente, no lugar do nosso popular suco. E é claro que o chá é sem qualquer adição de açúcar, a simples menção de se colocar açúcar no chá aqui é visto como um sacrilégio pior do que, digamos, jogar pedras na cruz. Quando vi que o bandejão aqui servia chá, fiquei com inveja do bandejão da USP. Preferiria leite.
Outro probleminha que eu tive foi com o arroz. Vejam que meus problemas eram simplesmente com dois símbolos nacionais, o chá e o arroz. Para vocês terem uma idéia, digamos que o chá e o arroz estão para o Japão como o futebol e o samba ou, para mantermos o paralelismo gastronômico, como a feijoada e a caipirinha estão para o Brasil. Mas o que se há de fazer, não gostei do arroz. O arroz japonês é cozinhado daquele jeito meio grudento, mas esse não é o maior problema, o duro mesmo é que não há, não pode haver, qualquer adição de tempero ao arroz, nada de sal, azeite, pimenta, nada: ele deve ser degustado naturalmente, para que se possa perceber todo o seu sabor. Eu simplesmente não aguentava, tacava um shoyo, pimenta, sal, tudo que dava, pra ver se pegava um gostinho, mas era difícil. Tive ainda de parar de adicionar coisas ao arroz porque percebi que os japas não gostavam de ver o gaijin tacando coisas no arroz (a única coisa que se pode adicionar é aquele troço que aqui eles chamam de sassame, e que eu nunca soube o nome em português e mesmo no Brasil só chamo de alpiste de gente.) Eles não gostam que se adicione nada ao arroz porque o arroz é o mais sagrado dos alimentos, eles o comem de manhã, no almoço e no jantar, aliás na língua japonesa café da manhã, almoço e janta é, traduzindo, algo como "arroz da manhã, arroz e arroz da noite."
Mas hoje, como disse, passados um ano e uma besteirnha, me peguei no bandejão pensando "putz, ese arroz tá bom" foi aí que caiu a ficha, era o arroz como os japoneses comem, sem nada, sem tempero algum, e que eu já venho comendo há algum tempo e que hoje, para meu espanto, me peguei gostando. Achei engraçado e fui pegar mais um copo de chá para acompanhar, e no caminho fui pensando que a gente nunca deve dizer "desta água", ou melhor, "deste chá não beberei." É tudo uma questão de costume ou, se preferirem, de adaptação.

PS: NA foto sou eu, em Kyoto, em uma tradicional cerimônia do chá japonesa, bebendo e adorando uma tigela de chá verde.

LU: Putz, num lembra desse óculos que me bate UMA RRRRRRAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIVAAAAA!! Beijos :)


Kobelus: Gostei do respeito ao estandarte do flamengo, "aquela bandeira vermelho e preta" você evitou falar o nome da bandeira do mengão em vão, muito bom!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Omiyagui


Boas. Começaram as aulas, e com elas meus tormentos. Morar em uma sociedade cheia de regras e normas sociais, para alguém assim como eu, esquecido e desligado das coisas do mundo, é uma atividade no mínimo perigosa. Vejam por exemplo o omiyagui. Omiyagui é o nosso presentinho, nossa lembrancinha. Aqui no Japão o omiyagui normalmente é um docinho, como esse aí ao lado, da região que se visitou. Bom, os japas dizem que cada região, cada cidade, tem o seu docinho característico, para mim eles são todos os mesmíssimos, recheados sempre com uma pasta de feijão doce não muito agradável ao meu paladar. Aí ao lado você pode observar uma foto de um docinho de Nara, uma das cidades mais antigas do Japão, que foi capital antes de Kyoto. Em Nara tem muito veado. Calma, não é que Nara seja uma espécie de Campinas ou Pelotas do Japão, tem muito veado o animal, e aí vocês podem ver que esse omiyagui tem um veadinho desenhado na caixa. O detalhe é que o veadinho tá cagando, até aí tudo bem, porque em Nara também tem muito cocô de veado. Só que se vocês perceberem direitinho o omiyagui em questão é em forma de cocô de veado é, digamos assim, uma alusão fecal, talvez uma resposta para o ditado brasileiro "só não come bosta porque fede" pois bem, pode comer então, porque essa aí não fede. Mas não é bem dos doces em forma de bosta que quero falar, mas sim da obrigação do Omiyagui.
O problema é que, por costume, regra e obrigação, sempre que se viaja, mesmo que seja para uma cidade a dez minutos de distância, deve-se se comprar uma caixinha de doces como essa para o pessoal do trabalho. Se você não trabalha, como eu, para o pessoal da sua sala, seus amiguinhos e professores. Por quê? Bem, é que quando você viaja você faz uma coisa legal, alegre, você se diverte. Aqui isso é visto também como um sinalzinho de egoísmo, e em uma sociedade que preza o comunitário, ser egoísta é ruim, então você compra o omiyagui para mostrar para seus amigos que você se divertiu, mas pensou neles, lembrou deles. Enfim, o omiyagui é o nosso chaveirinho brega com o lindo dizer "estive em Poços de caldas e lembrei-me de você" É uma maneira de dizer, "desculpa por ter me divertido!!!"
O problema é que eu nunca lembro de comprar o bendito omiyagui, e nessa volta as aulas, tá todo mundo trazendo omiyagui, me dando omiyagui, e eu, tô de mãos abanando. Esqueci de comprar os malditos doces. Sabe como é, nós ocidentais bárbaros, prezamos mesmo o egoísmo. Quando a gente viaja traz no máximo umas fotos pra mostrar pros outros ao invés de dizer "desculpa por ter me divertido" estamos dizendo "olha o lugar maravilhoso que eu fui e que você não foi! hahaha!" Aqui não, no Japão você tem obrigação de ser altruísta, de se lembrar do seu professor chato e daquele colega de turma pentelho. Mas aí vem a pergunta: altruísmo continua sendo altruísmo, se imposto? Quando eu compro algo por obrigação, dizendo "lembrei-me de você" será que todo o propósito da mensagem não foi por água abaixo? Não sei, só sei que fui correndo no supermercado comprar uns docinhos quaisquer. Eles dizem, viajei muito nessas férias, não me lembrei nenhum um pouco de vocês, mas sei finjir direitinho. Ou quase. Afinal, se procurar bem, a pessoa vai ver que o doce foi comprado bem ali, na esquina. Mas pelo menos mostro que me lembrei de ter esquecido de lembrar.


RESPONDENDO, ou NÃO.

Lara, Obrigado, beijos!

Tay: é, passou rapidão... Beijos!

Lu: Voltou mesmo!! Beijos!

Kobelus: E aí, gostou da receita?

Sarah: Pois é, tava na rua. Vou mandar um email marcando hora :)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

1 ano


Boas. 1 ano. Isso mesmo, faz um ano que cheguei aqui. Saí do Brasil na segunda dia 1o de outubro de 2007, e cheguei aqui em uma quarta, 03 de Outubro. É que a viagem é longa e o fuso horário confuso, era quarta aqui mas ainda terça por aqui. Pra comemorar eu mudei a cara do blog, como vocês poderam notar. Depois de um ano achei que já tava mais do que na hora. Também queria agradecer a todos que acessam, fazem comentários, mandam emails, por conta dessas coisinhas esse ano foi moleza. E para relembrar, resolvi repostar o meu 1o post... Beijos e obrigado, David.





RUMO A TERRA DOS SAMURAIS
Todo mundo jah sabe que todo comeco eh dificil... O comeco de uma nova vida de estudante entao, do outro lado do mundo... voces ja imaginam neh? A minha primeira dificuldade, como voces jah devem estar percebendo , eh com o teclado dos computadores... alem de nao haver nenhum dos acentos que a gente precisa ( se houver nao tenho a minima ideia de onde ficam) a barra de espaco eh pequenininha, e perto dela ha tres botoes que fazem a mudanca automatica para um dos tres alfabetos utilizados no japao, e eu, obviamente, a todo momento esbarro em uma delas e ai.... ai eh o inferno meu amigo!!
Bom, mas vamos as noticias... Depois de pegar um voo as 5:40 para Sao Paulo e chegar em Guarulhos as 7:20, fiquei no aeroporto ateh umas 12:00, quando uma velha amiga minha a Cynthia ( beijos titi, com vc. as escalas sao bem melhores!) me pegou para almocarmos. Fomos ateh o shopping Villa Lobos, onde almocei com ela e com o Andre, um outro velho amigo - eh isso pessoal, quem tem amigos tem boas escalas de 18 horas! Em Sao Paulo eu comprei uma calca para a viagem, tomei banho, andei pelo shopping e jantei no pizza hut. O tempo passou rapido e jah era hora de ir para a fila de embarque do aeroporto...
Foi nesse momento que a ficha caiu. Foi ali que a minha mao ficou fria pela primeira vez e que eu pensei ` putz, pra que eu fui me meter nessa...` mas ai jah era tarde demais, a Cynthia me empurrou pra fila e eu embarquei em um voo da JAL rumo a Toquio, com escala em New York!
Foi um voo tranquilo, o lugar ao meu lado estava vazio, a comida era boa e eu dormi bastante, ajudado pelo excelente vinho frances a bordo. Chegando ao JFK o desembarque tambem foi tranquilo, meu visto americano estah expirando em Dezembro e depois de me desejar uma otima estadia em Nova Iorque a funcionaria da imigracao disse ` and you are gonna need a new visa sir,
eh vou mesmo, mas basta a cada dia seu proprio mal, depois eu penso em como tirar outro visto americano...
O aeroporto de Nova Iorque eh gigante, comprei um cafeh pequeno que era maior do que qualquer cafeh gigante no brasil, agora eu sei porque os americanos andam tao gordos.... Em Nova iorque eu comecei a sentir o desconforto de uma mah escolha... A calca que eu comprei foi ficando um pouquinho mais solta, e como eu havia escolhido nao usar cinto pra evitar ter de tira-lo na seguranca de embarque, minhas calcas estavam querendo cair a todo momento! Mas consegui deixa-las no lugar, pelo menos por enquanto...
O voo NY/ toquio, eh....... looooooooongo! Sao 13 horas! O aviao sobe ateh o canadah, depois atravessa todo o pais das maples trees, atravessa o estreito de bering e vai rumo ao japao... A comida muda, os jornais tambem, embora o aviao seja o mesmo...eu dormia muito, porque estava realmente cancado, mas mesmo assim nao chegava nunca...
Quando finalmente aterrissamos em Toquio pensei, chegamos! Finalmente!! Soh que o aeroporto de Narita eh gigannnnnnnnnte, o aviao ficou uns 10 minutos andando no solo pra chegar ao local de desembarque, lah chegando minhas malas jah estavam rodando na esteira, diferentemente das horas que elas levam pra chegar nos aeroportos do Brasil, na alfandega nada demais, o cara soh me disse, hum new brazilian passaporto hum! Em menos de 15 minutos depois de ter pisado em solo estava no local de desembarque...
Ali o pessoal da Jasso, a organizacao de estudantes que cuida dos estrangeiros, jah tinha tudo organizado, muuuito organizado. Devem ter chegado ao mesmo tempo uns 40 estudantes estrangeiros, fomos dividos em grupos, quem vai ficar no hotel, quem vai pegar um onibus, quem vai pegar um taxi, eu era do grupo do hotel, porque soh iria pegar o shinkansen - o trem bala - no outro dia, assim, recebi deles as passagens do trem, 25.0000 iens pra ajuda de custo nesses dias e toda a orientacao do que fazer. Depois me levaram direto pro hotel, onde tomei um banho de banheira bem quente e aguardei minha viagem pra Nagoya... No hotel, fiquei no quarto com mais dois outros brasileiros. Um eh um garoto da Urgs que tah fazendo doutorado em biologia molecular, o outro um garoto da USP que estuda letras japones. A noite nos saimos pra tentar explorar Toquio, mas como o hotel fica a horas da cidade, resolvemos explorar o aeroporto mesmo... As oito da noite eu jah estava rolando de sono, e nao via mais nada, a gente voltou pro hotel e eu apaguei sentado em uma cadeira enquanto os caras usavam a internet...
A noite em Toquio nao foi boa, o fuso-horario ainda atrapalhava muito, acordei umas tres da manha nao consegui dormir mais. A gente saiu cedo pro aeroporto pra tomar cafeh da manha, depois voltamos ao hotel onde encontramos o pesoal da jasso que ia nos levar ao metro e de lah ao shinkansen - o famoso trem bala.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Motorneiro de metrô em Estocolmo.















Veja como somos contraditórios nós todos, que foi ontem mesmo que eu falei que este era um blog sobre o Japão e não falaria de Brasil e é hoje mesmo que eu vou falar de Brasil. É que eu não posso deixar de fazer meus comentários nessa época de eleições. E vou falar de uma só coisa: zona.
É que eu vi que no Rio de Janeiro tá uma discussão danada porque tão dizendo que o Gabeira, que tá subindo nas pesquisas, é zona sul. Eu ri muito desse comentário, porque de tão óbvio ele é ridículo. É claro que o Gabeira é “zona sul”. Todo político brasileiro é zona sul.
Alguém aí tem dúvias por exemplo de que o Lula, tomando os vinhos que toma e fumando os charutos que fuma, é zona sul? Será que alguém no Rio em sã consciência vai dizer que o Paes e o Crivella são zona norte? E sabe porque todo político brasileiro é zona sul? Porque todo brasileiro é zona sul.
Bom, mas eu preciso dizer o que eu entendo por zona sul. Ser zona sul não é ser rico. Pode ser, pode não ser. Ser zona sul é ostentar riqueza. E tem coisa que brasileiro gosta mais do que isso? Desde as peruas da Oscar Freire levando baculejo na Daslu, passando pela classe média com duas empregadas em casa, desembocando no barraco com TV de tela plana, todo brasileiro gosta de ostentar riqueza. Isso é normal em país como o Brasil, que está em processo de desenvolvimento.
Esse é outro ponto. Não adianta querer tratar o Brasil com era vinte anos atrás. O Brasil não é mais país zona norte. País zona norte é Eritréia, Sudão, Chad, Timor Leste, Bolívia. É triste ver que o debate politico no Brasil ainda é o mesmo de cem anos atrás. A questão não é saber quem é zona sul ou norte, mas sim quem vai nos tirar dessa zona sul e levar para uma zona franca, onde se tenha livre acesso a bens mais duráveis, como educação e cidadania.
Mas é engraçado demais ver a intelectualidade defendendo o Gabeira. Olha só essa pérola do blog do Caetano Veloso, “Que diabo é isso de dizer que Gabeira é “Zona Sul”? Gabeira é mineiro, jornalista, foi revolucionário exilado, trabalhou como motorneiro de metrô em Estocolmo.” Heheehehehe eu ri demais com esse argumento, ele não é zona sul porque foi motorneiro de metrô, em Estocolmo!!!
E isso é o Brasil, milhões podem acessar o comentário de Caetano, porque o país já é o sexto colocado em acesso de internet, mas uns 2 por cento vão saber dizer onde fica Estocolmo. Você sabe? É isso, zona sul…

PS: Essa é uma foto minha bem zona sul.

Respondendo:

Chris: Mas aí você também quer demais priminha. É fácil entender e definir os outros, não a gente mesmo...

Thaís: Sei, me engana que eu gosto...

Lu: Sumida não, sumidaça! mas tudo bem, tava estudando, boa desculpa.

Kobelus: Pois é, e essa ainda era uma estaçãozinha bem meia boca em algum lugar do interior do Japão.

Definições


Boas. Hoje, 1o de Outubro, é oficial: minhas férias se acabaram. É bem verdade que eu só vou ter aulas mesmo a partir da próxima semana, contudo cá estou, em Otsu, meu lar, depois de tanto rodar por este Japão. De todas essas viagens ficaram muitas fotos e algumas teorias, que reparto com vocês. A primeira teoria que me veio durante essas viagens foi sobre o que é o Japão. Bem, o Japão é uma ilha, disso sabemos todos, e quando eu era pequeno fizeram-me decorar que uma ilha era uma porção de terra cercada de água por todos os lados, digo era porque me parece que os geógrafos já mudaram essa definição, mas a mim pouco importa, fico com a definição antiga. Pois se uma ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados, o Japão é um grande trilho de trem cercado de terra e água por todos os lados. Sim amigos um imenso trilho de trem que liga o país de ponta a ponta, isto é o Japão. Pelos trilhos do trem se pode conhecer tudo o que há para se conhecer por aqui. Através dos trilhos do trem as paisagens do Japão parecem não se alterar, as estações, todas iguais, dão a sensação de que a viagem foi inútil e não se saiu do lugar, mas isso é porque os japoneses se sentem desconfortáveis com o diferente e não previsível, o trem sai do lugar sim, e nos leva a todos os lugares. O porquê de ser o trem o maior meio de transporte por essas bandas é conhecido por todos; o trem é barato, seguro, rápido e não polui. Então a pergunta é inevitável: porque no Brasil não há trens? Bem, as respostas são muitas e não as quero debater aqui, afinal este blog é sobre o Japão e não sobre o Brasil.
A outra coisa que eu percebi por cá, é uma teoria por mim formulada e só por mim acreditada: a teoria do clima único. Se você pegar um trem em um dia chuvoso no extremo sul do Japão, vai viajar o tempo todo em um dia chuvoso e vai desembarcar no extremo norte, acreditem, em uma noite chuvosa. Eu assisto aqui aqueles programas que mostram como será o tempo amanhã, com diferentes previsões e temperaturas paras as diferentes regiões e cidades, mas sei que é tudo enganação, mentira. Conversa para Japainglês ver. O dia, se for chuvoso, o será em todo o Japão, se for de sol, idem. Eu, nascido e criado em Brasília, que já vi e revi imensa sucessão de chuvas e sóis no eixão enquanto se cruza as asas norte e sul, estranho um pouco isso. Sabe como é, brasileiro que é brasileiro está acostumado mesmo é com grandes diferenças, de clima, de gente, oportunidade, dinheiro e é claro, de tempo.
Por falar em tempo, o outono chegou, com ele o friozinho. Outono é sinônimo de fim, e esse outono marca meus últimos seis meses aqui no Japão, ou melhor, nesse trilho de trem, cercado por terra e água por todos os lados. Depois é Brasil, país em que nasci mas para o qual ainda não consegui bolar nenhuma boa definição. É que é difícil definir um país que ainda não se definiu.


Respondendo:

Kobelus: Pois é, cada um no seu quadrado...

Tatá: Sei, vc. só se interessou pela Índia agora por causa da novela, fala a verdade!

Esdras: Idem. (Sacou? Vi o vídeo de vocês na cultura)