domingo, 25 de janeiro de 2009

Férias sem fim


Boas. Andei sumido, sei. Mas eram os afazares. Semana que passou passaram-se também minhas últimas aulas, de maneira que agora entre em modo de férias de inverno. A diferença é que dessas férias eu não volt mais, ou seja, minhas aulas no Japão se acabaram. Sexta eu tive de fazer uma apresentação na aula de japonês, e pela primeira vez na minha vida dei uma aula em japonês. Foi uma aula sobre Hiroshima. Vinte minutinhos só. Mas enfim, para quem chegou aqui sem saber como contar até dez em japonês, já foi um grande avanço. Fazendo o balanço geral depois de um ano e meio de aulas no Japão acho que aprendi que há tantas coisas a se aprender e que aprender é a experiência humana mais fantástica que existe. Acho que é isso. Em um treinamento de professores, aprendi a ser aluno. Um mal aluno, como sempre fui, mas enfim, sempre aprendendo...
Para comemorar teve um jantar na sexta na casa de uma dos professora. Aprendi que, mesmo depois de um ano e meio, não estou adaptado para longos jantares no Japão. Ficar por duas horas sentado nesse tatame com as pernas dobradas quase me fez não levantar mais. Para completar, no caminho de volta fazia um frio chato, menos 3, 4, com aquele vento que bate na orelha e parece entrar na alma, mas enfim, sobrevivi. Agora é aproveitar as férias. Ah, sim, vocês devem estar curiosos para saber o que eu vou fazer na férias né? Bem, depois de menos 15 em Varsóvia, menos 10 em Moscou, e menos alguma coisa todo dia aqui em Otsu, resolvi que vou deixar o frio de lado. Em fevereiro vou para okinawa, a ilha "tropical" dos japoneses. Mas isso não é tudo. Afinal eu mereço um pouco mais. Em Março vou para as Filipinas. Vou colocar uma rede em uma daquelas ilhas do pacífico e esperar a hora de voltar ao Brasil...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A casa já não é mais branca


Boas. Como disse ontem, peguei meu pacote de amendoim, sentei no sofá e assisti a festa do Hussein. Várias coisas chamaram-me a atenção nessa posse. Primeiro que americano não chama posse de posse, chama de "inauguration" é, a inauguração de um mandato. Pode parecer bobo, mas por vezes as palavras nos mostram o rationale, a lógica de uma cultura. No Brasil ainda existe a cultura de se apossar do que é público para fins privados. É isso que os políticos brasileiros mais sabem fazer. Por isso acho a nossa nomenclatura perfeita, eles tomam posse mesmo (infelizmente). Lá não, o sujeito não toma posse de nada, um período é inaugurado. É por isso também que a posse dos presidentes americanos é tão cheia de ritos e tradições. Porque a posse é do presidente, não do Obama. Ele não pode fazer o que quiser, porque a presidência é maior do que ele. É claro que ele pode escolher detalhes aqui e acolá, quem canta, quem ora, o menu do almoço, mas há uma estrutura que se mantém inatacta, uma tradição que lembra a todos que o poder não é algo que se deva personalizar.
No Brasil é uma festa né? cada um entra e faz o que quer. Porque eles acham que a posse é deles, a política brasileira ainda tem muita daquela coisa caipira, do coronel, da pessoa. Me chamou a atenção por exemplo que os discursos oficiais da posse do Hussein falavam não da posse do Obama, mas da posse do quadragésimo quarto presidente, Obama. Sacaram a diferença? De novo, enfatiza-se o fato de que a presidência é maior do que o presidente. Alguém sabe quantos presidentes o Brasil teve? Não, mas a gente sabe que os E. U. A tiveram 44...
Sabe, fico triste quando vejo como no Brasil essas coisas são desvalorizadas. A logomarca do governo por exemplo muda a cada novo presidente. Agora por exemplo na logomarca do governo o BRASIL é pintado com um vermelho que chama a atenção, vermelho que não está em nenhum símbolo nacional, mas é a cor do partido do presidente, então...
No GDF é a mesma coisa. Ora as coisas são verdes, ora, vermelhas, ora azuis... Lembro-me de um mandato do Roriz em que até as lixeiras foram pintadas. É a falta total de respeito pela coisa pública, pelos símbolos, tudo vira propriedade privada do novo comandante, é o coronel mandando pintar a fazenda com as cores que ele gosta, e somos nós o gado que nem ruminar rumina.
Na posse de Hussein, lá estavam todos os ex-presidentes vivos, lado a lado, adversários políticos mas que sabem que, como ex-presidentes, não podem mais fazer política partidária. Aí olho para o meu país e vejo Sarney, em seu toma-lá-da-cá de sempre, querendo ser presidente do senado. Grandeza nenhuma. Só ganância e mesquinharia.
Obama leva Bush ao helicóptero. Um adeus cordial. Puxei pela memória e falei, opa, pera aí, isso no Brasil também tem, me lembro de presidente deixando o palácio de helicóptero... hum- lembrei. Era o Collor, fugindo do povo. Do sonho de Luther King até a posse de Obama, do dia em que pretos não eram servidos em restaurantes até o preto-presidente foram menos de 50 anos. Fico pensando quanto tempo vai levar para que no Brasil, alguém com a grandeza de um chefe de Estado ocupe a presidência. Se forem só 50 anos, fico feliz.
Por fim, o presidente vai pra casa. E lá, casa de presidente é casa branca, não é torto, dinda, jaburú, porque, novamente, é a casa do presidente, não do fulano ou do beltrano. Se bem que isso agora também mudou um pouco por lá. Para o bem de todos, a casa lá já não é mais branca.

PS 1: A BBC só se referia ao Obama como primeiro presidente afro-americano. Acho essa coisa politicamente correta uma besteira. E ainda tem gente querendo trazer isso para o Brasil. Quer dizer que americano mesmo são só os brancos, os pretos são "afro"americanos? Bestagem de gringo. Americano é americano. Um é preto, outro branco, outro amarelo, outro marrom, mas é tudo americano...

PS2: Outro "plus" da posse de um presidente americano : não existe aquela faixa ridícula. A única tradição que a gente tem tinha de ser aquela faixa brega de ditador de república das bananas??

Respondendo

Cláudia: Um beijão pra você. Você não sabe, mas eu que aprendo com vocês...


Swami Abdalla - cara, não tenho a mínima idéia de quem você é, mas obrigado pelo comentário. O que você falou é verdade, e mesmo dentro das escolas públicas no DF existem grandes diferenças. Uma escola "modelo" no plano piloto é bem diferente de uma escola qualquer do Itapuã... (Itapuã de Brasília né, não a de Salvador...) Um abraço,

Um país de canalhas


Boas. Como disse ontem, na sexta feira fui a (desculpem-me eu ainda não encontrei a crase no meu teclado...) escola mais cara de Kyoto, uma das mais caras do Japão. Vamos pular o lugar comum, e não falar do prédio de seis andares, com vários elevadores é claro, onde eu me perdi, obviamente ,
(bem, eu me perder não é um parâmetro muito bom, quando cheguei da Europa, eu fiquei na dúvida por exemplo de qual era o meu apartamento e tive de verificar o número certo lá embaixo na caixinha do correio), mas enfim, as instalações da escola são melhores do que de qualquer faculdade/universidade que eu tenha visto no Brasil e também no Japão. Mas o que me chamou a atenção não foram as mais de 25 salas multimídia, ou as mais de 15 salas de reunião, o que chamou a atenção foi que, tudo que eu vi lá, eu vi também nas escolas públicas aqui.
Mas calma, eu explico. Por exemplo, na escola pública, bem como nessa super escola, cada professor tinha um laptop e uma bancada para trabalhar. É claro que na escola pública era um laptop mais humildezinho, com uma bancadinha mais feinha e uma cadeira menos confortável, na escola particular os professores tinha um mac igual ao meu, bancadas espaçosas, poltronas confortáveis, mas enfim, tinha. As salas multimídias eram muitas na escola particular, com um computador para cada aluno mais um monitor extra para cada dois alunos, na escola pública não, era um computador para cada dois alunos, mas tinha.
Eu vi na prática o que a gente já sabe há muito tempo: o problema no Brasil é desigualdade. Não dá para comparar escolas públicas com privadas, como não se pode comparar hospitais públicos e privados, bairros ricos e pobres e por aí vai. O Brasil é um dos campeões de desigualdade no mundo. Li um relatório do World Bank de 200o que dizia que no Brasil, para cada dólar gerado, 0,1 centavo ia para o mais pobre. No Vietnã por exemplo, eram 0,4 centavos. Isso quer dizer na prática que o Brasil teria de crescer 4 vezes mais do que o Vietnã para o pobre brasileiro no final ganhar o mesmo que o pobre vietnamita (não, o Brasil não cresce 4 vezes mais do que o Vietnã, na verdade tem uma taxa de crescimento MENOR do que a do Vietnã).
É meus amigos, vivemos, ou melhor, vocês vivem em um país canalha. O problema é que a gente se acostumou com essa canalhice. Na escola mais cara de Kyoto, não há congestionamento de carros com os pais deixando ou buscando os filhos, porque no Japão as crianças, desde os seis anos de idade, vão para a escola SOZINHAS, andando ou de ônibus/metrô. Elas andam por highways , estradas de alta velocidade, movimentadas, como na foto acima, porque todos sabem que não haverá nenhum boçal dirigindo a 150 por hora, nenhum motorista de taxi afobado ou caminhoneiro bêbado. No Brasil a minha amiga tem de proteger o blog onde posta fotos do filho pequeno, com medo da criminalidade. Se ela tá exagerando? Hum, ontem ouvi aqui pela CBN Brasília que encontraram o corpo de uma menina de seis anos, com sinais de ter sido violentada, em algum lugar do entorno. A avó que cuidava dela e de mais 18 netos pequenos, está desconsolada. Parece que um carro parou na porta quando a menina brincava e, com uma moeda, atraiu a menina para o carro. É que ela era da parte mais pobre. Do Brasil que vai frequentar escola pública, ser tratado pelo SUS e morar na boca do lixo. E a distância desse Brasil para o Brasil em que vocês vivem, acreditem, é maior do que a distância entre mim e vocês agora. Uma avó que tem de cuidar de 18 netos... é Brasil. É a canalhice a qual nos acostumamos. Quando conversava com o professor de história dessa escola, e disse a ele que no Brasil o professor ganha por hora/aula e por isso tem de dar aulas em várias escolas, ele não acreditou. "isso eu não conseguiria" ele disse. No Japão o professor trabalha de oito as seis, de segunda a sexta, na mesma escola. Parte do tempo leciona, parte do tempo corrige, planeja, atende alunos. Hora/aula é uma excrescência, um tumor de um sistema educacional doente. É uma das razões porque professores no Brasil não exigem que seus alunos escrevam. Preferem provas objetivas, raramente exigem relatórios. Os professores sabem que se fizerem isso, terão de corrigir em casa, depois das 8, 10 horas aulas do dia. Esse é um dos porquês de brasileiros não saberem escrever. É uma das razões de, apesar de 80 vagas, um concurso para juiz no Rio só consegue aprovar 4 pessoas. Hora/aula. Mais uma canalhice. O professor japonês diz que não aguentaria isso, a gente aguenta, porque como disse, acostumados estamos as canalhices de nosso país. E assim, pouco a pouco, vamos nós também cada dia nos tornando mais canalhas. Bom, agora vou pegar meu amendoim e assitir a posse do Obama. Amanhã eu conto o que achei. Beijos, canalhas!


Respondendo:

Kobelus: heheh, essa do cobertor é velha.

Elienai. Aqui no Japão a caixinah do leite, bem como aquelas bandeijas de frios, coisa e tal, a gente devolve no supermercado. Qualquer supermercado. No caso do leite ainda tem de lavar a caixinha e cortar com uma tesoura, deixando a caixinha como uma folha. Garrafas pet também vão para um lugar especial, mas em todo lugar tem o lixo de jogar a garrafa pet. Vidros, baterias e afins também têm um dia especial de coleta. E olha que aqui em Otsu o Lixo nem é tão complicado assim!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sobre lojas e vendedores




Boas. Acabei de voltar do supermercado, e tenho a certeza de que vou sentir falta dos supermercados quando voltar ao Brasil. Quer dizer, não do supermercado em si, mas da gentileza dos caixas de supermercados, e de vendedores em geral, no Japão. Quando estive na Polônia agora no fim do ano, já senti um pouco na pele como são as coisas em um país normal. A Monika queria comprar uma cafeteira para o pai, foi até uma loja, escolheu o modelo, mas a loja só tinha o modelo no mostruário, não no estoque. Bem, isso aqui no Japão jamais aconteceria, e se acontecesse o vendedor pediria mil desculpas pela falha da loja, coisa e tal. Como já era dia 23 de dezembro o que a vendedora da loja disse a Monika foi "deveria ter feito as compras de natal mais cedo!" huahuahau, banho de realidade ocidental! No Brasil não seria muito diferente, talvez a vendedora dissesse "deveria ter feito as compras mais cedo BEM!" Outra coisa, que eu já tinha até me esquecido, é o negócio do troco. Aqui não existe a frase "não tenho troco" ou "não tem uma nota menor não??" com aquela cara azeda. Sempre tem troco. O caixa já cospe as moedas automaticamente, e a vendedora só se ocupa com as notas. Você pode pagar algo que custa 100 com uma nota de 10,000 não tem cara feia, tem troco e sempre a infalível frase "arigatô gozaimashita."
Nas lojas, não tem caixa e vendedor. Todo mundo é tudo. Assim os vendedores ficam arrumando as coisas pela loja, e tão logo você vá ao caixa vazio, alguém corre para o caixa. Se outro cliente se aproxima, outro vendedor abre outro caixa. As filas são raras. Só mesmo em fim de ano, quando o volume de clientes é muito grande.
Mas esse fim de semana eu aproveitei mesmo foi para andar por aí. Tem uma montanha aqui perto de casa, e me disseram que lá no topo havia um templo. Sem mas nada para fazer, resolvi verificar. Uns 5 kilômetros daqui andando, mas a subida era bem íngrime... Quando cheguei lá, aquelas cenas de filme, o templo tava lá, com todo o complexo e muito neve não derretida, mas não havia quase ninguém. Era só eu, andando por aqui e por ali, e essa foto eu tirei lá aí de cima eu tirei lá. Na sexta feira eu fui também em uma escola particular em Kyoto, aliás a escola mais cara de Kyoto, mas sobre isso eu falo amanhã... Besos, David

Respondendo:

Elienai
É verdade sim que aqui o pessoal é mais ecológico. Isto é, tenta ser né. A divisão de lixo é um drama, com mais de seis tipos diferentes de lixo (Há cidades com mais de 20 tipos) e coisa e tal, mas a gente não pode se esquecer que os japas são um dos maiores compradores de madeira ilegal, além de serem também um dos maiores responsáveis por pesca ilegal no planeta. Mas eu vi a tampa do meu sabão em pó por exemplo, e a empresa tem uma eco campanha como você pode ver. No quadrado verde tá escrito "vamos pensar sobre o CO2," e no azul "vamos pensar sobre a água" com a descrição de projetos apoiados pela empresa nessas duas áreas. E para finalizar, não era preguiça não, é que foi fim de semana né! Ah, e eu fui barrado no seu blog, o das histórias do Caio, disse que era só para convidados! Ultraje!

Kobelus: É, só que cobertor de pobre cobre a cabeça descobre os pés! Veja lá querer cobrir dois né!

Karine: O Brasil pode continuar o mesmo, mas Karine, quanta diferença!

Valero: Well, obrigado, mas como você mesma pode observar para as placas nem precisa de inspiração, elas falam por si mesmas!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sustos

Boas. De quando em quando a gente leva uns sustos né? Domingo tocou a campaninha aqui em casa. Perguntei "quem é?", mais por curiosidade do que qaulquer outra coisa, aí veio a resposta "é a polícia!" Confesso que gelei. Em um pentelionésimo de segundo pensei em tudo que eu poderia ter feito de errado no Japão para justificar a polícia em minha porta, penssei "visto tá em dia, passaporte também, hum, será que foi aquele dia a noite que eu fiz xixi na árvore? Não, já sei, é o lixo, eu sempre coloco o lixo no dia errado, vieram me prender por causa do lixo!" Assim, resignado, fui até a porta pensando no ultraje que das manchetes dizendo que, em Shiga-ken brasileiro é preso por jogar o lixo fora no dia errado. Bem, abri a porta, já com a insegurança do culpados, pronto para ouvir o "perdeu playboy, cara no chão" e o policial começou "Dabi Xilba?" e eu "é, sou eu sim..." aí ele, foi e anotou meu nome em uma agenda. " Eu sou o policial do posto aqui do lado, como estamos em um novo ano estamos recadastrando os moradores e também aproveitando pra dizer que, em caso de problemas, pode nos acionar através deste número X, blá, blá e blá." É tão difícil se acostumar com polícia que é exatamente como deveria ser.Levei um susto.
Mas susto maior mesmo foi quando estava assistindo aqui ao me "BBC NEWS" e a muher disse "the president of Brazil Lues anacio desalva" aí eu prestei mas atenção né, afinal não é toda hora que se fala do Brasil. Mas eu acho que, ou eu estou sonhando, ou a mulher errou, ou o Brasil mudou muito. Ela disse que o Lula tá no Bolívia, e que ofereceu ajuda a Evo Morales pra guardar a fronteira e prender traficantes! Ofereceu até helicóptero! Ué, se o Brasil já tá até ajudando os outros quer dizer que a Amazônia agora tá 100% monitorada? Que o Brasil conseguiu combater o tráfico dentro do país, finalmente!! Puxa, quanta coisa muda em um ano e meio! Ou será que devo dizer, passa ano, passa governo e nada muda? Levei um susto.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

As placas de sinalização


Boas. Hoje choveu. Depois nevou. Depois fez um sol bonito de ver. Tudo em 15 minutos. E eu que achava o tempo de Brasília estranho. Vou bem, embora o futebol de segunda feira tenha me deixado quebrado. E que aqui os japas jogam muito rápido, e com muito afinco. Eu fui entrar nessa e me dei mal. Um sujeito do outro time roubou a bola e foi correndo em diração ao gol, eu fui acompanhando (o que, modéstia parte, já é bastante para o vovô aqui) e quando vi que ele ia chutar me atirei na frente da bola. Sim, cortei o lance, mas também dei um jeito na coluna...
Mas enfim, o importante é que meu time venceu! E venceu todas as partidas da noite! Mas mudando de alhos pra bugalhos, em me deparei um Cracóvia com essa placa de trânsito, e como bom turista que sou me peguei pensando sobre a natureza das placas de trânsito. Diga, se você é um motorista em uma noite fria em Cracóvia, e se depara com essa placa, que mensagem você recebe? O que essa placa quer dizer? Eu achei que a placa fosse "cuidado com o pedófilo que está perseguindo a garotinha" , mas não ficou claro que ;e para termos cuidado com o pedófilo, com a garotinha ou com os dois, com a perseguição em si. Enfim...

Em praga eu vi essa. O meu Tcheco não é muito bom (hum, duplo sentido, deixe-me reformular) não sei falar Tcheco muito bem, mas pela figura não tem erro, é para helicópeteros (hihihi, vocês notaram que eu escrevi "helicópEteros?". Tô virando analfa total!) Aliás em 2009 tiraram o o acento do voo né? Já era difiícil voar no Brasil, agora sem acento então... Mas bem, eu não entendo a razão de colocarem essa figura em uma placa de trânsito, eu não consigo imaginar o que essa placa possa dizer para, quer dizer sei sim, tá dizendo que é uma rua que tem passagem, não é sem saída, mas a figurinha voando... Será que só tem passagem se for pelos ares?



Mas enfim, os tchecos são muito criativos mesmo quando se trata de placa. Só não têm mesmo é muito poder de síntese e proporção, como mostra a placa ao lado. Na verdade eu fiquei na dúvida se isso era uma placa ou a "crônica de uma morte anunciada." Vamos analisar a situação: carro gigante prestes a atropelar homem sem pescoço e menino do braço sem fim, tudo por causa da bola, que de repente nem é mesmo bola, mas a cabeça da última vítima do carro assassino. Mas sério, qual é a mensagem? É pro menino não jogar bola porqu vem carro, pro homem sairo do caminho porque o menino vai fazer o gol ou pro carro escolher entre o menino e o homem? Bom, não sei, só sei que as vezes a língua pode não ser a única barreira em um país distante. Mas também né, quem é o mané que vai pra Europa e fica tirando foto de placas sem noção??? Beijos, até.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A foto


Boas. Como vão as coisas por aí? Por aqui tudo bem. Algumas novidades. Já há uma pré-data para a minha volta, 26/03. Nesse dia eu pegarei um voo de Osaka para Frankfurt, nove horas depois chego em Frankfurt, faço não sei bem o quê não sei bem por quanto tempo e mais nove horas até São Paulo. Aí faça não sei o quê, não sei bem por quanto tempo e pego outro voo para Brasília. Simples né? Só de avião são umas 20 horas, mas as esperas, atrasos, hum, tudo deve dá umas 28, 30 horas, menos as doze horas de diferença eu acho que eu piso meus pés no planalto central por volta do dia 27, hora de Brasíla. Depois eu devo ficar uns cinco dias dormindo as sete da manhã e acordando as cinco da tarde, então eu devo estar aberto para visitação pública (sem duplos sentidos) por volta do dia 1 de Abril! Ah, é mentira!
Bem, falando em mentira e Frankfurt e coisa e tal, lembrei-me de que neste fim de semana caiu a primeira neve aqui em Otsu. Em Nagoya só vai nevar em Fevereiro, mas aqui é um pouquinho mais frio. Teria sido emocionante, se eu não tivesse sido atolado em neve na Polônia e em Moscou no ano passado. Esse frio tá enchendo o saco!
Ah, deixe-me explicar a foto. Bem, quando em Cracóvia, eu queria muito visitar esse museu aí. É que eu li em um guidebook (não, claro que eu não compro guidebooks quando viajo, eu sou muito avacalhado pra pensar nisso com antecendência, o livro era mais um panfleto que eu peguei no "centro de informações ao turista"), bem, no tal panfleto falava desse museu, e esse museu tinha entre coisas uma cadeira que havia pertencido a shakespeare, e objetos pessoais de Abelardo e Heloísa (bem, meus alunos sabem quem são, espero, quem não sabe, joga no google.) Well, fui super emocionado ao museu, olha daqui, olha delá, muita coisa interessante, coisa e tal, aí acabamos de ver tudo e nada da cadeira do Shakespeare, nem das coisas de Abelardo e Heloísa. Aí eu falei pra Monika, "joga um bisu na tia aí e pergunta da cadeira do Shakespeare" aí a Monika foi pra tia da recepção e começou "puiuvisk, quivosk kurva, pienkne chezs th voski vodka qiosqui aftasardemhemorroidasidem?" Bem, ela me disse que a mulher falou que a cadeira do Shakespeare tava em um lugar especial, mas como era domingo (a gente visitava todos os museus aos domingos, que era sempre de graça, hehehe) não havia funcionários suficientes, mas se a gente REALMENTE quisesse, eles mandavam alguém com a gente. Eu perguntei "esse REALMENTE quiser foi do tipo, por favor não quieram?" a Monika respondeu "foi" aí eu disse "pô, mas eu quero... diz que eu viom lá do Brasil só pra isso...." well, dez minutos depois uma tiazinha nos acompanhou a tal sala secreta, onde eu vi não só a cadeira de Shakespeare, como a de Voltaire e objetos pessoais de Abelardo e Heloísa!! Hehe, viva, é bom ser chato!! De quebra a mulher ainda deu um tour guiado por outras áreas, onde se podia fotografar, e me mostrou esse retrato, do nobre que era dono do castelo em que o museu funciona, e que comprou a cadeira do Shakespeare e coisa e tal. O tio do cara era muito rico, tava morrendo, aí mandou chamar todos os seus sobrinhos, inclusive uma pancada que ele não conhecia, para escolher o herdeiro, já que ele não tinha filhos. Bem, o sujeito ficou com preguiça de ir lá na casa do chapéu pra uma herança que era mais do que incerta, então mandou um zé ruela qualquer pintar esse quandro aí dele, e mandou o quadro. Resultado: foi escolhido. Êta cara foto higiênico, digo fotogênico né não? Mas agora eu ja sei, se alguém mandar me chamar pra uma herança qulquer eu nem vou, mandou um email com a foto anexada! Besos.