domingo, 2 de novembro de 2008

As cores do Outono


Boas. A maioria das pessoas têm a primavera como sua estação favorita. É o tempo das flores, das plantinhas brotando, uma espécie de metáfora do renascimento, da recriação da vida das coisas. Outros tantos gostam mesmo é do verão. Férias, sol, praia, corpos bronzeados. Eu de minha parte sou fã incondicional do Outono. Não sei bem o porquê, já que o Outono é a metáfora da morte, do fim, ou melhor, do começo do fim. É no outono que as árvores vão perdendo suas folhas, que vão ficando vermelhas, amareladas e depois morrem.
Eu hoje tirei o dia para ir ao meu templo. Digo meu porque fica aqui do lado da minha casa, na verdade é o templo que dá nome ao bairro. Nesses dias frios de Outono não há passeio melhor. E aí eu fui vendo as cores das árvores, aquele cenário todo de fim de festa e me dei conta que é também o meu Outono aqui no Japão, quer dizer, o começo do fim da minha temporada japonesa. Passou rápido. Tenho aprendido muito. E daqui há alguns anos, quando eu estiver no Brasil e me perguntarem do que eu sinto mais falta do meu tempo no Japão, eu vou dizer "é do Outono."
O Brasil se orgulha de ser o país em que é sempre Verão, mas acredite, triste o país que não conhece a estação onde se percebe o começo do fim.


Respondendo:

Sarah - É estudando um pouco, mas com estilo, sempre!! Beijos


Valero!! Sabés que entre los estudiantes mexicanos, tu és mi favorita!! Hay desaparecido!! Besos!


Uma visão panorâmica de um dos jardins de Ishiyamadera durante o Outono...



quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dia normal


Boas. Resolvi tirar uma foto hoje onde eu finjo estudar, haja vista que eu estou aqui para isso. Mas a verdade é que hoje eu nem estudei tanto assim. Acordei umas nove quase dez e tomei um café lento enquanto via o Flamengo empatar um jogo besta com o Vitória. Depois fui para a universidade para uma aulinha básica, depois, duas e pouco da tarde, voltei e almocei. Três horas recebi a visita de um eletricista que veio verificar um probleminha com o interruptor de luz. Engraçado que no Japão essa galera que conserta coisas toda tem todo o equipamento, caminhãozinho, caixinhas de feramentas. Aquela figura clássica do eletricista de chinela havaiana e camiseta regata por aqui não existe não. Assim que ele resolveu o problema eu saí um pouco para ver o lago, mas tá meio frio para isso. Na volta banho e as promoções do supermercado, onde comprei o jantar de hoje (carne de pato e um pão) e o café da manhã de amanhã. Aí, só depois aí, resolvi estudar um pouquinho. Aproveitei a ocasião para tirar a foto que vocês podem ver. Parece que eu tive sorte e o meu apartamento não é daqueles que no frio vira um gelo, dá pra ficar de boa. Lá fora é que a coisa tá pegando mesmo. Ah, hoje também assisti ao vídeo-comercial de 30 minutos do Obama. Hehe, os marketeiros do Brasil têm muito, mas muito para aprender. O horário político do cara parece um documentário, nada de parecido com as coisas que a gente vê por aí. Agora vou estudar um pouquinho mais e daqui a pouco para cama mimi. Com uma alteração aqui e outra ali, esse é mais ou menos um dia normal da minha vida japonesa. Ah, hoje também eu falei português! Com os meus pais pelo skype... Besos..


Respondendo:

Samara - Pois é, tô sabendo que o calor por aí tá pegando. AFFFFFFFF!!!!!!!!!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Pão ou pães é questão de opiniães!


Boas. Outro dia me perguntaram o que eu penso sobre a reforma ortográfica que tá rolando aí no Brasil. Engraçado que quando se está em uma condição assim como a minha, sem se poder falar o idioma "mãe" a gente acaba refletindo mesmo mais sobre essas coisas. É que por mais que se fale bem um idioma, você nunca consegue se expressar com as riquezas e nuances com que você se expressa na sua língua. E é engraçado como o idioma acaba refletindo o jeito de ser do povo. A língua realmente é a pátria. Por exemplo:
Outro dia eu tava no trem e vi um cartaz onde estava escrito 間違う。Eu não sabia o que era então puxei o meu dicionário e vi que é a palavra "matigau" ou "erro" em japonês. O detalhe é que, como vocês podem ver, há dois caracteres para se formar essa palavra. O primeiro significa espaço, o segundo significa diferença. Pronto, pro japonês o espaço onde há diferença é um erro. Talvez por isso eles se esforcem tanto para não sobressair, para serem iguais...
O português é a quarta língua mais falada do mundo, muito graças a nós, é verdade, e a concordância em alguns detalhes pode facilitar ainda mais o contato entre os países de língua portuguesa. Mas sou contra a tal reforma. Primeiro porque a língua é viva, e vai se transformando. As regras podem até padronizar um português formal (aquele que a gente não sabe escrever direito) mas nunca vai conseguir padronizar o que as pessoas falam na rua. Além disso parece que dessa vez o trema cai mesmo. Ele já vem caindo aos poucos, coitado, e seu uso já é facultativo em muitos casos. Acho uma pena. Eu, de minha parte, não agüento escrever sem o trema, e continuarei a usá-lo. Agüentarei as conseqüências. Por fim, depois de 500 anos o nosso idioma se transformou em um português com a nossa cara, que mostra um pouco da personalidade do brasileiro. Eu já falei aqui por exemplo do nosso apreço pelos diminutivos. Como falei, acho que a língua diz muito do caráter do povo. E nós não somos portugueses, ou angolanos, ou timorenses. Somos brasileiros.
Mas se o governo quer mesmo facilitar o aprendizado do português, pode começar dando educação pra massa que não consegue ler e compreender um jornal. Isso sim é importante. O resto são detalhes. Como disse o escritor brasileiro Guimarães Rosa, pão ou pães é questão de opiniães!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

De volta do silêncio


Boas. Voltei. Depois de uma pequena pausa, um silêncio curto, é verdade. Tem gente que não gosta do silêncio, mas eu adoro. Aliás isso é um dos atrativos do Japão, o silêncio. Os carros são silenciosos. Os ônibus, desligam os silenciosos motores, quando parados no sinal vermelho por exemplo. Até as crianças por cá parecem mais silenciosas. O silêncio é também prova de intimidade - a gente só consegue ficar confortavelmente em silêncio com as pessoas com as quais nos sentimos íntimos. Na música, dizem as más línguas, que o bom músico é aquele que sabe, principalmente, a hora de não tocar.
O probema é que o povo se incomoda um pouco com o silêncio. Tem gente que parece sempre ter de ter uma opinião formada sobre quase tudo. Eu de minha parte, prefiro ficar em silêncio quando não tenho nada a dizer. Mas vamos ao que se tem a dizer.
Por aqui o frio já aperta. Eu prefiro. Acho que quando voltar ao Brasil vou sentir falta do frio de cá. Principalmente nesses dias em que o inverno ainda não chegou de vez e o sol ainda brilha forte. A minha empresa de seguro (não, eu não sabia que tinha uma) mas parece que eu tenho um seguro contra incêndio. Por uma dessas coisas que não se entendem do Japão, o meu seguro contra incêndio cobre também a enchente que rolou no meu apartamento. Me deram um formulário pra colocar um x nas coisas novas que eu vou precisar, de colchão a roupa, passando por computador e tal. Eu perguntei como eu ia mostrar que a coisa tinha quebrado, eles falaram que bastava tirar uma foto, Aí eu pensei em tirar uma foto de um tênis velho todo ferrado, e de umas roupas mais pra lá do que pra cá, além do meu colchãozinho já meio ferrado. Ia ganhar uma grana boa. O problema é que de verdade de verdade, não estragou nada. E é difícil ser desonesto com quem é honesto com a gente. Ademais a gente no Brasil reclama tanta de político que rouba milhões, e muitas vezes a gente se corrompe por pouco, por uma multa, por dez reais aqui, por uma ninharia ali. Enfim disse a eles que não estragou nada não, tá tudo tranquilo. Só pedi para lavarem meu tapete. Já levaram, disseram que semana que vem tá pronto. No Brasil, quando bati o meu carro o seguro não pagou porque eu não sabia o nome da rua em que o acidente aconteceu. O problema é que em Brasília as ruas não tem nome...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

As elites de tropas

O primeiro a noticiar a ação de uma tropa de elite foi Heródoto. Era Agosto, 480 antes de Cristo, e na estreita passagem de Termópolis 300 soldados de elite comandados pelo rei Leônidas tinham uma missão suicida: atrasar, o quanto possível, um exército de alguns milhares de persas. A desproporção era tamanha que o rei persa, com pena dos espartanos, chamou Leônidas de lado e disse “Ora, deixe disso, nos deixe passar em paz. Veja, nós somos em número muito maior. Nó somos tantos que, se eu ordenasse somente aos meu s arqueiros que lançassem suas flechas neste exato momento, o volume de flechas cobriria a luz do sol.” “ótimo” respondeu Leônidas, “assim lutaremos à sombra.” Acompanhando aqui do Japão o que tem acontecido aí no Brasil, uma pergunta me inquietou: há no Brasil tropas de elite? Cheguei a conclusão de que não, não as temos.
Os mais afoitos vão dizer que estou errado e por fora, afinal temos até um filme “tropa de elite” que levou um tal capitão Nascimento ao posto de herói nacional! Como assim não temos tropas de elite? Eu me lembro de quando saiu o filme em que o “herói” Nascimento bate, tortura e mata. Eu estava navegando pelo site do BOPE quando uma amiga minha que estava perto se interessou. Ela me perguntou o que eu estava vendo, “o site de uma tropa de elite da polícia no Brasil” eu disse, ela falou “Pára de inventar, fala sério, que site é esse?” Ela não acreditava que era um site policial, porque no logotipo havia uma caveira com um punhal cravado de cima abaixo. Quando eu disse a ela que o maior orgulho do dito grupo de elite era uma carro que se chamava “the big skull” minha tosca tradução para “o caveirão” ela disse, meio contrariada, meio incrédula, a famosa não frase de De Gaulle “isso não é um país sério.” Eu não disse nada. Nem podia.
Tropa de elite é cirurgião, não açougueiro. Quando se precisou que o BOPE agisse como cirurgião, como no caso do ônibus 174, um policial de elite errou um tiro a cinco metros do alvo e acertou a refém. Outros policiais de elite mataram, asfixiado dentro do camburão, o sequestrador do ônibus. Veja, no que diz respeito ao BOPE do Rio, aquilo não é uma tropa de elite, é uma tropa de guerra urbana. A melhor do mundo, é verdade, mas tropa de Guerra urbana, não de elite policial.
No mais recente caso envolvendo tropas de elite no Brasil, o GATE de São Paulo negociou por um dia e conseguiu uma refém. Só que no outro dia a devolveu para o sequestrador novamente. O final foi a tragédia que todos nós conhecemos. Não vou entrar no mérito se a polícia deveria ter invadido antes, ou se deveria ter atirado no sequestrador com um atirador de elite. São questões técnicas que não domino e, ademais, não importam tanto. O que importa é que, nas duas maiores cidades do Brasil, quando houve uma necessidade de intervenção crítica das tropas de elite, o resultado foi o desastre. Então, de quem é a culpa?
Os primeiros a quem não se pode culpar são os policiais. No Brasil os policiais de elite treinam mais, trabalham mais, são submetidos a maior pressão e ganham o mesmo de seus colegas de corporação. São pessoas envolvidas com um trabalho desgastante ao qual se dedicam com afinco, quase sempre sacrificando suas famílias, amigos e a si mesmos. Se são mal preparados, a culpa não é deles, é do Estado que os prepara. O Estado que subverteu o que é ser polícia no Brasil, o Estado que permite que uma polícia tenha uma caveira como logotipo e hinos do tipo “Homem de preto, qual é sua missão?… Entrar pela favela e deixar corpo no chão… Homem de preto, que é que você faz?… Eu faço coisas que assustam o satanás”… O Estado que não protege, nem ao policial nem ao cidadão, esse é o culpado. A sociedade desestruturada que o sustenta, é culpada. No mundo todo polícia prende, justiça julga e imprensa noticia. No Brasil, a imprensa julga, a polícia mata e a justiça solta.
O Estado não protege porque aqueles que o comandam, ah, esses têm suas tropas de elite. São as multidões de seguranças particulares, carros blindados e armas de última geração que servem as autoridades e aos endinheirados. E se por acaso esses endinheirados e autoridades são os que cometeram o crime, bem, nesse caso eles têm a outra tropa de elite, de toga preta e assento na famosa praça dos poderes, que dizem que algema na mão de doutor é humilhação, mas nas mãos de preto pobre mostrado em horário nobre é serviço público. Esses donos do poder nunca precisarão dos BOPE e dos GATE, portanto pouco se importam se seus policiais tem o treinamento, material e remuneração adequados. Presidente, senadores, deputados federais e estaduais, governadores, são todos culpados pelas tragédias que todo dia acontecem. Mas não os grandes culpados.
O grande culpado mesmo, esse somos você e eu. Somos nós que achamos normal polícia bater e matar, que achamos normal politico roubar e juiz se achar acima do bem e do mal. Nós, Cidadãos brasileiros, que assistimos a mais uma tragédia, com uma comoção verdadeira mas inerte, que continuamos a votar nos mesmos hipócritas ineficientes de ontem, que vamos nos acotovelar no velório da menina para mostrar nossa solidariedade para com a família da vítima quando o deveríamos fazer nos acotovelando em frente aos palácios de governo, em frente às câmaras de deputados. Sim, porque não se iluda, enquanto as elites tiverem suas tropas, nunca haverá no Brasil tropas de elite. Leônidas sacrificou suas tropas, mas alcançou seu objetivo. O que dói é que no Brasil nossos sacrificados têm morrido em vão.

Alagado


Boas. Vejam vocês o que me aconteceu neste fim de semana. Não sei por que cargas d'agua resolvi, de sábado para domingo, pegar o meu futon (colchão japonês) colocar no chão e dormir no chão mesmo. Percebe que este não é um comportamento normal, eu não faço isso todos os dias, devo ter feito umas duas vezes desde que aqui cheguei, pois bem, nesta noite de sábado para domingo resolvi fazer novamente.
Dormi como um anjinho até umas três da manhã, quando um estranho sonho me pertubou. Eu sonhava que estava afogando. Logo eu, um exímio nadador, que quando criança fui o sétimo lugar nos 50 metros rasos para seis pessoas. Acordei atordoado, e quando dei por mim, o quarto estava alagado. Houston we have a problem.
Durante a noite o meu aquecedor resolveu vazar água, e foi vazando a noite toda, e alagando todo o carpete, até chegar no futon em que eu dormia como um anjo. Quando eu vi aquilo tudo molhado, levantei assustado e pensei "Putz que M. que eu faço agora?"Bom, a primeira providência era tentar parar o maldito vazamento, só que eu não tenho ferramentas aqui no Japão. Mas a falta de ferramentas não ia me deter. Afinal eu não sou um japonês ou um gringo bobo, sou brasileiro nato, um rapaz latinoamericano sem dinheiro no bolso e vindo do interior (afinal Brasília é interior) e assim sendo deixei fluir o meu lado mais rústico. Na parte inferior do aquecedor havia algo parecido com uma tampa, e eu pensei, "tenho de arombar essa josta" e comecei a chutar. Como os chutes não estavam dando muito efeito, haja vista o fato que eu estava de pés descalços, eu peguei a frigideira, uma faca e, lembrando os melhores momentos de McGiver abri a maldita tampa no tapa.
Depois de tê-la aberto, deparei-me com dois registros, um vermelho e outro preto, e me recordei dos bons filmes policiais, onde há dois fios a se cortar, e em se cortando o errado tudo vai pelos ares. Bem, respirei fundo. Decidi que o registro preto era o registro a ser fechado. Comecei a fechar o registro preto, primeiro cuidadosamente, depois com a pressa dos alagados. Depois que terminei de fechar o registro preto, verifiquei que havia fechado o registro errado, o vazamento continuava. Ainda bem que não era uma bomba... Fechei o vermelho e estanquei o vazamento. Agora era só computar o prejuízo.
Alguém uma vez disse que pobre é fogo, vive dizendo que não tem nada mas quando a chuva vem reclama que perdeu tudo. Bem, eu não tenho nada mesmo, então não perdi nada. Mas o carpete ficou alagado. E eu perdi uma noite de sono. E eu quebrei o aquecedor. Como estou morando no Japão, resolvi tentar fazer os meus direitos de consumidor!
O maior problema de fazer valer os seus direitos de consumidor no Japão é reclamar em japonês. Há de ser incisivo, sem ser rude, há de se fazer entender que não está contente com um sorriso nos lábios. Liguei pra a empresa que administra o condomínio e falei que havia saído água do aquecedor. Acho que a atendente não confiou muito no meu Japonês, pediu para que eu aguardasse até segunda para que eles pudessem mandar alguém e verificar o que tinha acontecido. Na segunda eles mandaram dois senhores que deram o veredito: trocar o aquecedor e o carpete, uma semana fora do apartamento. É claro que eu não tenho de pagar por nada disso, e é claro também que a administradora me arranjou um outro apartamento, maior que o meu, para que eu passasse essa semana. E é claro também que eles me pediram mil desculpas. Pediram tanta desculpa que eu pensei "hum, talvez eu possa lucrar mais com essa história." Fui até a universidade e reclamei com a senhora responsável pelos estudantes estrangeiros. Ela ligou para a companhia e disse que se desculpar somente não era suficiente. Eles disseram que vão pensar em uma maneira de me recompensar pelo trauma e transtorno. Ficaram de me ligar essa semana para dizer como.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O mundo 5.0

Paulo Coelho é um sucesso. Ontem comemorou cem milhões de livros, isso mesmo, cem milhões de livros vendidos no mundo. Eu confesso que tinha um certo preconceito com o autor. Nunca tinha lido mas, pelo que via, não gostava. Para remediar isso, fui ao blog dele e li trechos dos best sellers além de considerações que ele faz para o blog. Agora, mais aliviado, posso dizer que não há preconceito, eu simplesmente não gosto mesmo.
Agora que ele é um sucesso , isso é. Foi o único autor brasileiro que eu já vi traduzido por aqui. Fora isso, todos os estudantes internacionais, seja da europa, oriental, ocidental, Rússia, E.U.A, Índia, todo mundo sabe quem é Paulo Coelho. Aí eu me pergunto, por que cargas d'agua esse cara é tão famoso?
Eu me arrisco a dizer que ele acerta ao se comunicar com as massas, e as massas estão, cada vez mais, da média para baixo. Eu acho, e veja bem, é achismo mesmo, pura opinião de alguém que não vai mudar em nem um penteleonésimo a fama e a fortuna de Coelho, que é exatamente porque é pior que ele vende mais do que João Ubaldo Ribeiro, para mim o melhor escritor brasileiro ou António Lobo Antunes, para mim o melhor escritor da língua portuguesa hoje.
Eu vou além e me atrevo a sugerir o mesmo raciocínio para a política. Aí é que eu acho que mora perigo para o famoso Barack Obama. Ele fala bem, é inteligente, cursou Harvard, ou seja, tá um pouco acima da média. Aí quando o americano médio vai pensar no seu voto e vê o Obama, ele simplesmente não entende. Sem falar no racismo é claro. Na hora da pesquisa, sim, eu voto no negão, mas no secreto do voto o racismo secreto também pode se mostrar.
Mas enfim, Paulo Coelho está aí, conhecido no Japão e no mundo,e cheio da grana (imagina se ele ganhou só um real por cada um dos cem milhões de livro que vendeu). Pelo menos, bem ou mal, tá difundido a leitura, o hábito de ler. É melhor comer mal do que não comer. falando nisso...
Olha só o mundo em que você vive, o Bush deu 700 bilhões para salvar empresas milionárias, que no fim de semana já estavam fazendo festas regadas a champanha e caviar. Enquanto isso, como você pode conferir nesse vídeo da BBC, http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/7444753.stm a galera continua a morrer de fome. Para quem achava que isso já tinha acabado no mundo, tá aí, tapa na cara da gente. Desculpa que o blog saiu assim, meio sério demais, mas depois de ter visto esse vídeo hoje, não deu vontade de mais nada, só de pensar, putz, esse é o mundo que a gente tá criando?